Não saímos do lugar
Os aeroportos estão parados outra vez, agora ainda recebendo as últimas gotas do pane do Cindacta da Amazônia e da chuva que ontem caiu sem parar sobre São Paulo. O site do Climatempo promete mais tempo chuvoso para hoje. Isso quer dizer que seremos bombardeados pelo rádio e pela tevê durante todo o dia com reportagens sobre o caos. O foguetório já começou. Nas capas dos jornais, a imagem é uma só: o deslizamento de terra na cabeça da pista principal do aeroporto de Congonhas. Não importa que ele esteja ocorrendo porque o Airbus da tragédia quebrou a canaleta gerando infiltração; importa é utilizar o efeito da imagem com a lama escorrendo pela parede onde se lê “Infraero”, amplificá-la ao extremo para fixar a imagem de destruição de um governo que nada fez para impedir que o número de passageiros do principal aeroporto do país saltasse de 12 milhões para 18 milhões, nos três últimos anos.
E tome indignação de passageiros que não puderam embarcar por causa do tempo fechado. E tome imagens de filas, de gente dormindo nos bancos dos aeroportos como se fossem bancos de rodoviárias, de passageiros mal-informados e enfurecidos com o atraso. Não importa a chuva, importa a cólera dos revoltosos que não sabem quando o céu se abrirá. Ninguém invoca o bom senso para lembrar que o tempo impede as operações. Não importa o risco ampliado pelo céu fechado. Importa a revolta. E tome balanço de percentuais de vôos com atraso, vôos cancelados e depoimentos dos imprevidentes que querem decolar de qualquer maneira para o seu destino.
Ao final do expediente, sempre haverá algum senador ou deputado para colaborar com a fúria semeada durante todo o dia. O Jornal Nacional quem sabe lhes garanta segundos de exposição, e lhes dê a oportunidade para desviar a atenção dos senhores da opinião e seus barões para a mais nova mazela nacional. A chance é de ouro. O infiel da hora é o Executivo, que toma o lugar de Renan Calheiros, aquele que, até duas semanas, tinha toda a atenção dos olhos da mídia.
Amanhã, a confusão generalizada ocupará os editoriais, que abastecerá novos discursos indignados da oposição, que depois de amanhã voltarão aos jornais para pendurar mais uma fatura na conta do governo acuado e impotente. Sem perceber, voltamos ao clima de campanha eleitoral.
Não saímos do lugar.
26 de Julho de 2007 @ 09:22
ELITE DESPIROCADA ATACA NOVAMENTE
A elite burra e despirocada ataca novamente. Estão divulgando uma passeata em SP – na Avenida Paulista, lógico, eles não tão idiotas a ponto de fazer isso na periferia – por e-mails e nas páginas do ORKUT. São os mesmos de sempre, é aquela elite burra que não aceita que um nordestino, ex-metalúrgico, seja o melhor presidente que o Brasil já teve. Vão usar o acidente do avião da TAM, vão fingir solidariedade com as famílias dos mortos para gritar o “fora Lula”. Como se – contra todas as evidências – o presidente Lula fosse culpado pelo acidente. Exatamente como fizeram no passado, em períodos pré-eleitorais. Vão vestir preto, vão levar faixas com dizeres agressivos, velas e flores para a farsa ficar mais emocionante.O encontro para organizar essa palhaçada será no Espaço Cultural São Paulo, que pertence à prefeitura de SP, e eles contarão com ajuda da CET. É a prefeitura de SP, do Kassab do DEM, dando apoio – e eles ainda dizem que a farsa e o desrespeito para com as famílias das vítimas do acidente não é político. E lá vai a elite burra e despirocada para mais um show de ofensas contra o presidente Lula na Paulista: madames de com seus modelitos pretos, muita maquiagem no rosto, óculos escuros escondendo a cabeça vazia, vão ser protagonistas de uma falsa solidariedade para terem seus minutos de fama. Gentinha horrorosa, escória da humanidade. Preconceituosos, não são solidários com ninguém, olham apenas para seus umbigos gordos. Não lhes interessa o que o presidente Lula esteja fazendo de bom pelo povo brasileiro, não lhes interessa que a economia do país esteja estabilizada, sem inflação, que o desemprego tenha desabado, que o povo esteja comendo mais e melhor, que o pobre esteja cursando universidade, que estejam conseguindo comprar a casa própria. Eles têm grana, não precisam disso e não estão nem um pouco preocupados com os que não têm. Eles chamam o Bolsa Família, maior programa de redistribuição de renda em todos os tempos, reconhecido e aplaudido mundialmente, de bolsa esmola. Para eles é esmola mesmo, mas para mais de 11 milhões de famílias miseráveis que necessitam do programa, é esperança, é sobrevivência, é o pão de cada dia. Não lhes interessa que FHC, o príncipe das trevas, foi expelido de seu mandato deixando para trás 54 milhões de miseráveis, (IBGE 2002), e que no governo Lula a desigualdade social tenha caído sensivelmente. Isso, para eles, não representa nada, pois acham que não os deixa mais ricos. É muito vil usar a morte trágica de dezenas de pessoas para seus interesses particulares, eleitoreiros, escusos. Não elegeram seu candidato com o voto e querem tentar um golpe contra o povo brasileiro. Não vão conseguir.
Jussara Seixas