Grande mídia muda de argumento para requentar denúncias de ex-embaixador
A resistência da grande mídia em aceitar diferenças retorna aos jornais, mais uma vez com as declarações do ex-embaixador do Brasil nos EUA, Roberto Abdenur, que ontem compareceu no Senado, a convite do senador Eduardo Azeredo (PSDB-MG) - aquele que introduziu Marcos Valério no financiamento de campanhas políticas - para explicar suas denúncias veiculadas na revista Veja. A Folha de S.Paulo confunde-se de Eduardo: disse que o ex-embaixador foi convidado por Eduardo Suplicy (PT-SP). Grave? Sim, mas acontece com freqüência quando a cobertura é feita de orelha.
Nos demais jornais - alguns poucos, outros mais - a ida de Abdenur ao Senado ressuscita a estratégia de supervalorizar as denúncias vazias do ex-embaixador. Na primeira onda denuncista, ganhou peso a entrevista à Veja. Nela, entre outras denúncias (vide posts anteriores, por favor), ele acusou a política externa brasileira de ser anti-americana.
A campanha noticiosa que a revista abriu foi prontamente abraçada pelos jornais nas “repercussões”, e com igual barulho. A aposta era firme para a criação de nova crise no governo, desta vez desqualificando a política externa dos últimos anos. Mas, para azar deles, o noticiário emulado foi surpreendido com o desembarque, em Brasília, da missão norte-americana de primeiro nível, portadora do convite dos EUA para o Brasil ser sócio no megaprojeto de expansão da produção de biocombustível.
Os jornais contorceram-se em editoriais e novas reportagens para manter a verdade noticiada, muito diferente da verdade dos fatos.
Sintomaticamente, no noticiário sobre a ida do ex-embaixador ao Senado, os jornais de hoje não martelam mais na denúncia de anti-americanismo do governo Lula. Convenientemente, deixaram de lado essa argumentação, que não se sustenta mais. Afinal, há quase duas semanas, quase que diariamente, o noticiário continua explorando detalhes do que pode sair da parceria oferecida pelos EUA - a “Opep do etanol”. Mais: como segurar a denúncia de anti-americanismo ao lado das notícias sobre os preparativos da visita de Bush ao Brasil, no final semana que vem?
Restou-lhes carregar as tintas nas denúncias de ideologização do Itamaraty.
A denúncia mais grave de Abdenur nesse quesito – de que as promoções no Itamaraty vêm sendo mais influenciadas pela preferência partidária do que pela competência – foi desmentida pelo ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim. Em mais de uma entrevista, ele pediu a Abdenur para apontar um único caso onde a grande inversão de valores teria ocorrido. Abdenur calou.
Ontem, esperava-se que ele desse nomes aos bois no Senado, mas nada. Os senadores aventaram até mesmo a possibilidade de promover uma reunião secreta para que Abdenur pudesse listasse os diplomatas que foram beneficiados ou prejudicados por essa prática. Mas desistiram. Por que? Os jornais não informam o porquê. Preferem reafirmar que Abdenur “reforça” (Folha e Estado) ou que “ratifica” (Globo) as críticas contra “a cúpula do Itamaraty de contaminar a carreira diplomática com questões ideológicas”, como publica o mesmo Globo hoje.
A dificuldade da grande mídia em aceitar pensamentos diferentes dos seus foi, mais uma vez, exposta na entrevista com o economista Tom Trebat, publicada no Estado do último domingo. Apresentado pelo jornal como “brasilianista da Universidade de Columbia”, Trebat, na verdade, é diretor-executivo do Centro de Estudos Brasileiros da Universidade de Columbia, e ex-diretor da divisão de América Latina do Citigroup - em resumo, alguém que não pode ser taxado de esquerdista ou petista-lulista.
O jornalista Pedro Dória perguntou-lhe:
Apesar do bom relacionamento entre Bush e Lula, discute-se nas últimas semanas se a diplomacia brasileira tem hoje um certo acento anti-americano.
Trebat respondeu:
Ninguém aqui (nos EUA) teme que o Brasil seja anti-americano. O que há é que o Brasil está muito acostumado a ver o mundo pelo viés dos governos dos EUA. E agora isto está mudando. Cada vez mais, as relações entre os dois países se dará no setor privado, com pouca participação governamental.
Sublinho: O que há é que o Brasil está muito acostumado a ver o mundo pelo viés dos governos dos EUA.
A boa entrevista colhida por Pedro Dória insistiu em outra fixação da grande mídia: Hugo Chávez. De novo, o brasilianista confirmou que o presidente venezuelano incomoda muito mais as famílias que controlam a mídia na América Latina do que o governo de Bush:
Ele faz barulho, mas não é uma ameaça para os EUA. Só cria instabilidade política. Pode ser que eu esteja enganado, mas acho que o auge de Chávez já passou. Quando Felipe Calderón ganhou no México, em parte pelo medo de “chavização” do país, Rafael Corrêa teve de mudar de linha, no Equador. Eu não exageraria a importância prática de Chávez. Mas também não existem vozes para contradizê-lo na América Latina. Ele fala as coisas mais absurdas, numa base diária, e não há ninguém, não há uma voz erguida para dizer que os gastos fiscais de seu governo são um desastre, que suas políticas são paternalistas, que suas cooperativas não funcionam. Ninguém está a fim de seguir a linha de Chávez, sobretudo no Brasil.
Dória retrucou:
Mas o presidente argentino Néstor Kirchner sugeriu esta semana que Washington quer o Brasil assumindo uma liderança anti-chavista na América Latina.
Trebat respondeu:
Os EUA nunca pediriam ao presidente Lula que tomasse uma posição agressiva contra Chávez. Alguém tem que enfrentá-lo, mas não precisa ser Lula. O Brasil é percebido aqui como um aliado discreto. A visita de Bush não terá por objetivo dividir a América Latina em dois blocos. Para os EUA isso não é necessário e, para o Brasil, não é desejável. O que há é um interesse em construir melhores laços de comércio. Do ponto de vista americano, se você olhar a região, há um problemão na Venezuela, um problema menor na Bolívia, talvez um terceiro no Equador. .. Mas, no resto do continente, o que houve foi um tipo de contra-revolução a favor de líderes moderados, como Lula.
28 de Fevereiro de 2007 @ 08:18
Pois é, a mídia está aleijada, se acostumou ao denuncismo vazio que repercutia em todos os órgãos de imprensa, um dando força ao outro mas depois que perceberam (depois das eleições) que o descrédito junto a população era grande tentaram mudar, mas de vez em quando ainda caem numa ou noutra esparrela, como essa do anti-americanismo.
28 de Fevereiro de 2007 @ 10:40
Esse Tom Trabat é bastante ponderado e com sensatez. Para alguem ligado a circulos economicos Usa tá bom demais.
Porem pensa com vies americano, como todos quevivem la pagam esse preço e naturalmente omite coisas, algumas vitais.
Por ex. se “em parte” a eleiçao mexicana de Calderon tera sido por medo ao Chavismo, em outra grande parte, foi fraude eleitoral e grande contra Manuel Lopes Obrador.
É claro que Hugo Chavez comete erros obvios de politica economica, como nós fizemos aqui com Sarney e tal. Porem ele é presidente legitimo, ele se substitui a organismos tipo BID, que sempre serviram aos interesses de Washington, ele oferece ajuda aos pequenos da AL e estes nao recusam… E quanto a linguagem desaforada de Hugo contra Bush e cia nao se pode negar que é uma forma inteligente de usar uma CONTRA-Midia de alguem que so foi ate hoje malhado pela mainstream media, diariamente, especialmente aquela em ingles, e sem direito de ser ouvido.
E doi pra eles saberem que nós cucarachas ate q nos divertimos com estas coisas, ne mesmo?
13 de Março de 2007 @ 15:20
Vejam só quem é Contra o Etanol.
Claro só deles podemos esperar isso.
Do Diatdor Hugo Chávez, a esquerda radical do PT , Bolívia e Argentina.
No caso do Ditador Hugo Chávez, seu trabalho será desclassificar o Etanol.
Na verdade o Ditador fará de tudo para tentar mostrar ao mundo que o Etanol é uma ameaça ao mundo porque vai tirar o alimento no campo em favor da produção do Etanol.
O que é evidente é que o Ditador estar se vendo ameaçado (Petróleo) e seu imperialismo de ditador.
O Etanol Brasileiro já deu certo e não tem mais retrocesso, só basta agora o Brasil avançar em parceria com os USA em busca do mercado interno americano.
A hora é essa, e o Brasil não tem que ficar se explicando com nossos visinhos, o que temos é que buscar o melhor para esta nação.
O interessante é que o Ditador Hugo Chávez em contradição critica, provoca e diz ser inimigo dos americanos, mas na prática não é bem assim, afinal Hugo Chávez vende milhões para os Americanos em petróleo.
Uma coisa é certa, a oportunidade agora é do Brasil, e o Brasil precisa parar com essa história de amigos latinos.
O Brasil é soberano e adulto, e precisa avançar na tecnologia do Etanol em parceria com os USA.
Aliás, o Brasil precisa fazer o que qualquer outro país da América latina faria se tivesse a tecnologia do Etanol e oportunidade da parceria com os USA.
Não duvide que Argentina, Bolívia e a pró pia Venezuela, caso tivesse a tecnologia do Etanol se já não tivesse sendo parceiro da União Européia e USA e com isso dariam com certeza uma banana para o resto da América latina.
O certo é que nossos visinhos não suportam a idéia de ver o Brasil como potência na tecnologia do Etanol e parceiro dos USA.
Com certeza nossos visinhos como: Venezuela, Bolívia e a falsa Argentina se poderem vão fazer o possível para que isso não aconteça.
Quem viver verá!!
Ângelo Duarte
6 de Abril de 2007 @ 09:34
eu nao acho certo o q o lula esta fazendo
evo morales deu uma entrevista
e disse q o bush e um diabo
que isso um diabo falando do outro q mundo estamos
kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk