Pirataria
O BRIC vira CRIB, mas apenas um jornal vê a coincidência
Os quatro países do BRIC, entre eles o Brasil, também são os líderes da pirataria no mundo. A falta de reflexão sobre a coincidência na imprensa é voluntária? Por que esses países servem como exemplo de crescimento, mas não como exemplo de insegurança jurídica?
Intrigante a ausência, nas colunas dos jornalões de hoje, de um comentário, passageiro que fosse, sobre a coincidência da lista dos países líderes em pirataria. O Brasil é o quarto colocado de uma relação de 53 países. Os países campeões são os mesmos do BRIC, a sigla que reúne Brasil, Rússia, Índia e China como potências do futuro. Em ambos os casos, o Brasil está na lanterna. É o que menos cresce e também o que tem menos pirataria.
Apenas o jornal Valor Econômico, na comparação com mais quatro jornalões e seu principal concorrente, a Gazeta Mercantil, viu a coincidência. Sua reportagem vai mais fundo que as demais e é muito mais rica.
A Folha de S. Paulo, além de não ver a sigla BRIC entre os campeões de desrespeito à propriedade intelectual, brinda seus leitores com uma reportagem manca, na qual falta a ordem dos países que antecedem o Brasil. O Correio Brazilienseresume as informações em uma nota, onde também não coube informar quais países vinham na frente da lista. O Globo, O Estado de S.Paulo e a Gazeta Mercantil não comeram mosca. Trazem a classificação dos campeões da pirataria, mas mencionam o BRIC apenas de passagem.
Apenas um jornal compara com os mesmos países que vêm, há meses, servindo como referência quase diária de crescimento econômico, quando convém destacar o fraco desempenho do Brasil entre os maiores emergentes. China, Rússia e Índia são usados no varejo e no atacado como exemplos que o Brasil deveria perseguir para crescer, mas hoje nenhuma coluna ou editorial oferece reflexão sobre a coincidência.
As razões para a omissão podem ser muitas. Nos extremos, vai da preguiça à desonestidade intelectual. Mas, na maioria dos casos, nada se relacionou porque o resultado seria a exposição de contradições e idéias prontas e pré-concebidas a respeito do Brasil. Uma dessas idéias é a de que aqui não há “segurança jurídica” suficiente para atrair investimentos. Com o CRIB, esse argumento morre. Mesmo entre os maiores piratas, o país é o que menos viola a propriedade intelectual. Não é pouca coisa.
A comparação com do Brasil com China, Rússia e Índia, na maioria das vezes, é usada com total impropriedade. Em economia, é o mesmo que comparar jaboticaba com lichi, pinhão e tâmara. Nada a ver com nada.
Três diferenças cruciais explicam a diferença de crescimento entre os países, mas raramente são consideradas nas comparações rasteiras. A China tem “apenas”, cerca de 1 bilhão e 100 milhões de habitantes a mais do que o Brasil. Lá, empresário não recolhe para a Previdência, mas também não reclama do câmbio nem financia campanhas para eleições livres e diretas. A Rússia descobriu-se sobre o segundo maior oceano de petróleo do planeta, perdendo apenas para a Arábia Saudita na contabilidade das reservas conhecidas. Para ser empresário bem sucedido, é indispensável manter relações com o Kremlin e conviver com a temida máfia russa. A Índia fala inglês, principal motivo, ao lado da educação de tradição britânica, da expansão de serviços de telecenter, contabilidade e produção de softwares. Mas a desigualdade é brutal. Milhares de engenheiros produzidos ano após ano convivem com párias e miseráveis que somam a população de pelo menos dois Brasis.
As comparações são inevitáveis, mas perigosas quando se sustentam na ignorância.
Assalto no cofre público
O Ministério Público do Estado de São Paulo instaurou um procedimento para investigar uma doação de R$ 500 mil feita pela Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp) ao Instituto Fernando Henrique Cardoso. Com o objetivo de organizar, catalogar e digitalizar seus arquivos, o instituto, que não tem fins lucrativos, foi criado por FHC assim que ele deixou a Presidência.De acordo com a Promotoria da Cidadania, será investigado se a doação causou algum prejuízo ao erário e se houve improbidade administrativa e má gestão pública.
O Instituto Fernando Henrique Cardoso (iFHC) informou ontem que abrirá ao Ministério Público Estadual (MPE) todos os documentos acerca da doação de R$ 500 mil feita à entidade pela Companhia de Saneamento Básico de São Paulo (Sabesp). Segundo o iFHC, instituição “sem fins lucrativos”…Há! Há! Há! e “apartidária” Há! Há! Há,.Apenas uma pergunta ao poderoso chefão Fernando Henrique Cardoso: E se o Presidente Lula resolvesse criar um instituto, e recebesse “doações” dos cofres públicos(dinheiro do contribuinte?)O que o seu partido PSDB falaria sobre o caso? E a nossa imprensa, estaria quietinha do mesmo jeito que está? Cadê a Veja? Não vai falar sobre o assunto? E ainda falando em Veja eu não vi o buraco do Alckmin/Serra na capa da veja!
Você não sabe, mas está ajudando a financiar as atividades do iFHC (Instituto Fernando Henrique Cardoso). Sorrateiramente, R$ 500 mil migraram do seu bolso para o borderô da ONG aberta pelo ex-presidente da República tucano depois de ter deixado o Palácio do Planalto. Deve-se ao repórter Daniel Bramatti a descoberta da mamata. O tema foi repercutido na edição da Terra Magazine(Aqui). A Sabesp (Cia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo) repassou ao iFHC os R$ 500 mil.
O repasse foi feito com o propósito de ajudar a financiar um projeto de preservação do acerco de Fernando Henrique Cardoso. A ?doação? foi feita com base na Lei Rouanet, de incentivo à cultura. Significa dizer que a Sabesp vai descontar a grana do seu Imposto de Renda. Ou seja, a generosidade é financiada por você, caro contribuinte. A Sabesp não foi a única empresa doadora. Ao correr a sacolinha, o iFHC logrou amealhar R$ 2 milhões. O que diferencia a Sabesp dos demais doadores é a sua natureza jurídica. Trata-se de uma estatal. Como se fosse pouco, é uma estatal que, nos últimos doze anos, esteve submetida a gestões tucanas.
Para complicar, o iFHC não se dignou nem mesmo a mencionar o nome da doadora estatal na nota que levou ao ar no seu portal eletrônico. Ao privar a Sabesp da homenagem de uma citação, o instituto do ex-presidente premiou a falta de transparência. O iFHC alega que o mimo da Sabesp foi feito dentro da lei. O que leva a uma inevitável pergunta: quantos absurdos vêm sendo praticados no Brasil em nome da lei? A Sabesp, como se sabe, deveria ter suas atenções voltadas para a melhoria da malha de saneamento básico do Estado de São Paulo. Algo muito distante das atividades desenvolvidas pelo iFHC. Por sorte, os resíduos éticos produzidos por operações do gênero não são concretos. Do contrário, não haveria esgoto que bastasse. “
A Índia não fala inglês, é apenas uma das línguas oficiais. Fala hindi e várias outras. O idioma não tem uma interferência tão forte no desenvolvimento de informática quanto este blog sugere.
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Caro Hugo,
Desculpe a falta de imprecisão. Você tem razão: o idioma oficial da Índia não é o inglês. Também tem razão ao apontar que o inglês não interfere fortemente no desenvolvimento de informática. Eu deveria ter escrito que o inglês é o segundo idioma natural da minoria indiana que chega à universidade. Mas o domínio do inglês foi, sim, decisivo para que as grandes empresas - e até estados norte-americanos - entregassem sua contabilidade para os grandes escritórios globais instalados no país.
Obrigado pela colaboração.
Alceu