Grande imprensa cria nova esquizofrenia: a hipótese do terceiro mandato de Lula
Para que a ameaça não se concretize, mídia e oposição criam ambiente para o PAC não vingar
Bateu uma nova esquizofrenia na grande imprensa: a possibilidade – hoje inviável por onde quer que se avalie – de Lula tentar alterar a constituição para se re-reeleger para um hipotético terceiro mandato. Para que o diabólico plano dê certo, Lula precisaria cumprir um segundo mandato primoroso, com crescimento econômico e maior distribuição de renda – exatamente o que o Plano de Aceleração de Crescimento (PAC) pretende.
A paúra dos donos da mídia surgiu como balão de ensaio do professor aposentado e fonte preferencial do O Estado de S.Paulo para a cobrança de reformas nas áreas sindical e trabalhista, Leôncio Martins Rodrigues. Há uma semana, em entrevista ao jornal, apesar da advertência repetida - “volto a dizer: não estou prevendo que isso acontecerá” – a fogueira começou com a seguinte pergunta do repórter Gabriel Manzano Filho:
“O PT sabe que não tem candidato presidencial para 2010. O plano ajudaria Lula a ser um grande eleitor nas eleições de 2010?”
Leôncio ponderou que a transferência de voto, no Brasil, é um animal imprevisível e que, se funcionasse, já teria dado certo com o próprio Lula nas duas últimas eleições. Após dizer que o “grande eleitor” da questão “pode funcionar ou não”, o professor arriscou:
“Agora, não é fácil acreditar que, dispondo de uma aprovação, digamos, de 60% ou 65% no seu último ano, e tendo uma quantidade tão grande de subordinados na máquina petista e aliada, gente que não quer perder o conforto do poder, ele mande parar as campanhas em favor de sua permanência. E ainda o discurso de movimentos populares e sindicais, de que se ele sair o neoliberalismo volta e estraga todo o progresso obtido… Volto a dizer: não estou prevendo que isso acontecerá. Estou advertindo para que os analistas e os eleitores pensem nisso com seriedade. Um político competente nunca mostra as cartas que tem na manga”.
Foi o que bastou para assanhar as especulações, a começar pela própria reportagem com Leôncio, que recebeu como título “‘Estratégia é criar condições para um terceiro mandato’”. Estratégia que, no caso, significa o êxito do PAC, apesar das dezenas de cassandras que a grande imprensa convocou para projetar seu fracasso.
A criação de dificuldades para um programa que sequer começou, portanto, não se mostrou suficiente. Desde a publicação da entrevista, os jornais e revistas trataram de disseminar o pavor de um terceiro mandato de Lula. Dois dias depois da entrevista com Leôncio Martins Rodrigues, o mesmo Estado daria a largada à campanha em duas frentes. Numa, a colunista e porta-voz da oposição tucana, Dora Kramer, saiu-se com o texto “É difícil, mas não é impossível”, no qual conjectura sobre as condições ideais para que a ameaça se consume. “Congresso fraco, presidente forte e dono de maioria parlamentar, uma oposição numericamente reduzida e politicamente desarticulada”, aventou, “podem ser o esboço da receita para Luiz Inácio da Silva tentar uma manobra radical: a conquista de um terceiro mandato”. Noutra, o repórter Expedito Filho completou a pauta com a coleta de opiniões entre parlamentares da oposição para a reportagem “Tese de mais 4 anos para Lula inquieta oposição”. Nela, o medo de que o PAC realize seus objetivos é concreto. O texto aponta justamente o perigo de o PAC “ter sido motivado pelo desejo do presidente Lula de pavimentar a estrada para obter um terceiro mandato, mas acabará caindo no vazio por se tratar de uma proposta tímida, baseada no aumento de gasto público e inspirada na onda populista que toma conta da América Latina. Quem faz esse diagnóstico são deputados de oposição. Para eles, há razão para cautela, mas não para pânico, pois não é grande a chance de o PAC ter resultados positivos”.
Portanto, todos podemos dormir tranqüilos, pois vingará a aposta da oposição de que o PAC irá fracassar, como diariamente repetem seus porta-vozes na grande mídia , e impedirá que Lula faça, no Brasil, o que Chávez fez na Venezuela. Os prestimosos articulistas da grande mídia já anteciparam que o PAC será um rotundo fracasso e, com a repetição contínua da derrota antecipada, esperam contaminar a expectativa positiva que se torna necessária para que investimentos em longo prazo se realizem. Mas, se apesar de todas previsões e de toda a torcida em contrário – sem contar os obstáculos que a oposição criará no Congresso, caso ganhe a Presidência da Câmara – a luz vermelha se acenderá novamente para nos alertar do perigo da ditadura do voto.
Antes do Professor Leoncio, o grande porta-voz do tucanato, o eminente intelectual Diogo Mainardi previu o terceiro mandato no Manhattan Conection (no último programa de 2006 ou no primeiro de 2007). Na época nem existia o PAC, só a torcida contra.
Aqui na Bahia há um asno carlista,que escreve para o jornal tribuna da Bahia,que diz a alguns meses que LULA dará o golpe da bi-reeleição.