Braguinha e James Brown – o andar de cima ficou mais animado neste Natal
Natal tem dessas coisas. Parece até que aquele Senhor barbudo, lá de cima, escolhe a data para transformar seres humanos em anjos. Foi assim, em 1977, com Charles Chaplin, em 1983 com o pintor catalão Joan Miro, e neste ano com João de Barro (Braguinha), que subiu na véspera, e o “pai do soul” James Brown. Quem dançou ou cantou as letras de Braguinha, ou sacolejou ao som do cantor negro, ganha mais uma conta de nostalgia para acrescentar ao colar que, inescapavelmente, nos aperta o pescoço nesses dias de reuniões familiares, troca de votos e presentes e muita comilança.
Por ser feriado, com exceção dos casos em que o obituário do artista já foi preparado com antecedência, a imprensa é pega de surpresa. De novo, a falsa percepção de que o mundo gira em ritmo mais lento nas páginas dos jornais é interrompida pela realidade: tudo mantém-se como nos demais dias do ano – os jornais é que estão vazios.
A vida de Braguinha foi muito mais rica do que aparece nos jornais de hoje. Por sorte, temos a Internet e os blogs, como o de Luís Nassif, que traz um dos relatos mais ricos sobre a passagem desse brasileiro. Ele diz, com a propriedade de quem conheceu a personagem pessoalmente: “Ao lado de Caymmi, era das derradeiras figuras reverenciais, de uma música que –ao contrário do país—aprendeu a amar e reconhecer os seus velhos”. Recomenda-se a leitura na íntegra, seguindo o link abaixo.
Sobre James Brown, apresentado resumidamente como o “pai do soul” nos sites dos principais jornais brasileiros, o noticiário de amanhã trará certamente mais riqueza de detalhes por causa do material caudaloso que as agências internacionais estão despejando nas redações vazias. Talvez se releve seu lado violento e de adepto das drogas – várias vezes, ele esteve preso por agressão doméstica e posse de substâncias ilegais, principalmente maconha. Brown foi preso pela primeira vez, por furto de carro, aos 16 anos. Talvez se reforce sua influência sobre outros astros da música pop, que vai de Prince a Michael Jackson, passando por Mick Jagger e David Bowie, entre outros, e que o funk abrasileirado das favelas cariocas é obra sua. Talvez, também, se esqueçam de ressaltar que ele foi um dos mais valentes defensores dos direitos civis dos negros dos EUA.
O ex-presidiário tem uma estátua em bronze em Atlanta, onde nasceu; Braguinha foi homenageado pela Mangueira no desfile de 1984, mas mereceu muito mais reconhecimento em vida – o que não aconteceu.
Íntegra de Luís Nassif Yes, nós temos banana