Pinochet
O assassino morreu sem ser condenado

Alceu Nader | Textos | Segunda, 18 de Dezembro de 2006

Os senhores acima posam para foto tirada oito dias após o golpe de estado de 11 de setembro de 1973, que derrubou o presidente eleito do Chile, Salvador Allende. Sentado, a figura mais abjeta da história da América Latina, tem sua vaga garantida no inferno. Augusto Pinochet Ugarte escapou da prisão sob a alegação de “incapacidade severa” para se defender do único processo que ameaçou pôr fim à sua impunidade, movido pelo juiz espanhol Baltasar Garzón, em 1999. Sua impunidade credita-se, sobretudo, ao ex-presidente chileno, Eduardo Frei, democrata-cristão, autor da carta que acabou com a prisão domiciliar em um castelo da Inglaterra, onde o ditador foi mantido em exílio forçado de 503 dias, para escapar da ordem de prisão internacional expedida por Garzón. Pinochet era acusado de co-autor e autor dos seqüestros e mortes cometidos pela “Caravana da Morte”, em um dos 300 processos criminais nos quais era acusado como autor ou indutor. O fim da prisão domiciliar e da possibilidade do assassino ser julgado na Espanha deveu-se, além de Frei, ao ministro do Interior, Jack Straw, e seu chefe, o primeiro-ministro, Tony Blair.

Ao desembarcar no Chile, o crápula deixou a cadeira de rodas que fazia parte da encenação de sua doença e saiu caminhando para receber o abraço de milicos e autoridades.

Straw e Blair, três anos, depois abonariam a invasão do Iraque com a acusação – depois desmentida – de que Saddam Hussein possuía um arsenal de armas de destruição em massa.

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