PÁ DE CAL
Um poema para Augusto Pinochet Ugarte

Alceu Nader | Textos | Segunda, 18 de Dezembro de 2006

A morte de um ditador, para a minha geração, de cinquenta e tantos, tem o valor acrescido da experiência vivida com vítimas de várias ditaduras latino-americanas, inclusive a brasileira.
Por isso, não poderia deixar de passar adiante um poema anônimo recebido de um antigo amigo, também jornalista, José Eduardo Mendonça.

Trata-se de um xingamento à medida para o ditador, hoje uma alma penada. E redime, muito pouco, a perda de Neftali Ricardo Reyes, o nome verdadeiro de Pablo Neruda, o poeta nóbel dos chilenos, que morreu um mês depois do golpe de 11 de setembro de 1973.

Às palavras:

  • IN MEMORIAM

    A usted señor me dirijo
    Que ha nacido en este suelo,
    A usted legítimo hijo de perra y perro chileno.

    A usted que tiene el orgullo de ser el gran carcelero,
    De ser el gran traidor y embustero.

    A usted que tiene las manos manchadas con sangre humana,
    A usted que tiene su vida y su alma condenada.
    A usted que cuida el tesoro de sus amos industriales,
    A usted que es especialista en torturas infernales,
    A usted que con tanta muerte quiere llenarse de gloria,
    A usted que quiere atajar el caminar de la historia,
    A usted que será después de nuestra final victoria
    Un desgraciado recuerdo de putrefacción y escoria
    A usted que estará consciente de su derrota cercana

    Que sabe que si no es hoy, bien pudiera ser mañana

  • . .

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