Engolindo Chávez
Jornalistas entrevistam jornalistas: mais uma inovação dos jornais brasileiros na cobertura das eleições da Venezuela
O presidente reeleito da Venezuela, Hugo Chávez, ou melhor, a fixação dos grupos empresariais que controlam a mídia no Brasil com Chávez, está motivando novas práticas jornalísticas no Brasil. Pelo menos três jornalões – Folha de S.Paulo, O Estado de S.Paulo e O Globo – enviaram jornalistas para cobrir as eleições de ontem, mas a cobertura mais íntegra não é de nenhum deles: é do Valor Econômico, que não enviou repórter. A Folha, um dia antes da eleição, inventou um decreto de última hora que já existia há doze dias e que parece coibir a boca-de-urna. O mesmo decreto proíbe a venda de álcool, como no Brasil, mas o jornal não publicou esse detalhe, possivelmente para evitar a comparação que seus leitores fariam.
Na edição de hoje, na qual os jornalões tiveram de aceitar o resultado das urnas amplamente favorável a Hugo Chávez, com mais de 60% dos votos, as inovações continuaram. Todos cometem o que, até poucos anos, era inadmissível: entrevistam jornalistas para tentar explicar o que, afinal, acontece com o povo desse país vizinho, onde, a despeito de toda a campanha movida pelos grupos que controlam a imprensa no continente, Chávez continua vivo – pior, com novo mandato que lhe assegura mais seis anos no poder.
O Estado inovou um pouco além dos seus pares ao tentar criar uma “fraude eleitoral” que nem os vigilantes jornais venezuelanos constataram, ao trazer hoje denúncia ide rregularidade, feira por uma partidária do candidato derrotado por Chávez. Como de hábito, o jornal multiplicou o caso, atribuindo-lhe um coletivo que não existiu. A reportagem com o título “Oposição reclama e teme fraudes” não traz “a oposição”; na verdade, traz a história de uma mulher que foi desmascarada por uma funcionária do Conselho Nacional Eleitoral (CNE) após denunciar a “fraude”. O que aconteceu: a partidária anti-Chávez pretendia armar um escandalete para a imprensa internacional com uma grave “denúncia”: a tinta aplicada no polegar dos que já haviam votado não resistia à aplicação de álcool e acetona. A funcionária do CNE foi acionada e descartou a “fraude” ao ver vestígios de tinta nas unhas e na cutícula da denunciante. Nenhum jornal – nem os da Venezuela - comprou a história. Apenas o Estado. O caso bobo foi transformado em reclamação da oposição. Enquanto isso, na Venezuela, tanto a oposição quanto os jornais não questionam o resultado nas urnas.
Olá, Alceu.
O seu blog é muito importante para nós. Parabéns pelas suas excelentes e imprescindíveis publicações
Gostaria de lhe pedir o especial obséquio de diminuir o tamanho dos “links” para os seus posts, porque senão desposiciona a tela dos tópicos do Orkut.
Obrigado, abraços!
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Caro Adriano,
Obrigado pela participação. Fiquei com uma dúvida: o que vem a ser “desposiciona a tela dos tópicos do Orkut”? Quantos toques e linhas cabem no tópico?
Abraços!
Olha, se não tivesse lido aqui a respeito desse tipo de “cobertura”dos jornalões, não teria caído na “real” ,como caí agora!
Simplesmente não me dei conta desses “testemunhas vivas no local dos fatos!!
Não havia quase entrevistas com intelectuais, políticos, civis em geral, claro da própria Venezuela!. Só imagens e “depoimentos neutros” dos repórteres !
Uma grande pegadinha!
E acho que milhões caíram nessa!
Caro Alceu Nader.
Comecei a ler seus artigos no Observatório da Imprensa, e li seu último artigo despedindo-se do SITE e avisando que iria criar um desvinculado do OI. Continuo a ler seus artigos e também leio os artigos do Alberto Dines. Gostaria de saber se você eventualmente lê os artigos que ele tem escrito no OI. Uma tristeza. Na minha visão o Dines está dificil de ler, e em vez de crítico da mídia ele passou a ser advogado de algumas mídias. Ainda resisto em deletar o endereço do OI dos meus favoritos.
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Caro Ronaldo,
Muito obrigado pela fidelidade. Visito o OI com irregularidade, e nem sempre leio na íntegra o que o Alberto Dines tem escrito. Tampouco, tenho conversado com os antigos colegas sobre a qualidade do nosso jornalismo, que vejo muito crítica. Há a distorção estrutural criada pelo oligopólio de empresas que produz e distribui quase a totalidade das informações publicadas e/ou transmitidas. Há, também, seleção ideológica na contratação de jornalistas e substituição maciça de profissionais experimentados e competentes por jovens recém-saídos e mal-formados pelas faculdades, que ganham várias vezes menos e trabalham mais horas do que aqueles que sucederam. A relação patrão-empregado é arcaica. Repórter que não trouxer das ruas a “pensata” dos editores, condizente com a ideologia das empresas, não serve. O estado é o grande inimigo, mas suas verbas publitárias são benvindas, e há pressão clara por esses recursos para que o oligopólio continue dominando. Há, por fim, para dar por encerrada essa lista que poderia ser muito maior, o aviltamento em cadeia das práticas profissionais, responsável pelas imoralidades e abusos da imprensa praticada por essas grande empresas.
É impossível, portanto, não perceber que a profissão perde cada vez mais nobreza, precisão, crédito.
Obrigado pela participação
Alceu Nader
Parabéns pelo blog!
Aproveito o espaço para uma sugestão: até o momento (21h30 de quarta, 6.dez), não li nenhuma nota em site de notícias ou blog a informação de que o deputado Aroldo Cedraz, cujo nome foi aprovado esta tarde como indicado da Câmara para ministro TCU, além de ser do PFL baiano e aliado de ACM, está na lista dos acusados na máfia dos sanguessugas!!! O único destaque dado foi à derrota do governo, mais uma vitória do baixo clero, etc, etc, como se a política do rompimento de acordo fizesse bem à democracia e como se houvesse alguma comparação possível entre o vitorioso e o candidato apoiado pela base (até esta manhã) aliada, Paulo Delgado.
Olá, Alceu.
Em primeiro lugar, parabéns pela consistência do conteúdo do seu Blog.
Sobre esse assunto Chávez, é triste ver que a imprensa brasileira é má perdedora. Resolver assumir o “alckimismo” descarado nas eleições brasileiras, e perdeu feio. Fincou o pé contra Chávez, como faz há tantos anos, e tomou outro tapa. E agora fica com essa atitude covarde de tentar minimizar o carisma, a sensibilidade social e a acachapante vitória do venezuelano. Fica a certeza de que nossa imprensa não tem escrúpulos, e muito menos honra e vergonha na cara.
Já pensou se a moda pega?
Miriam Leitão entrevista Alexandre Garcia…
AAARRRGGGHHH!!!!!!
É patético assistir certos comentaristas como Miriam Leitão falar do país vizinho - Venezuela como se morasse lá há anos, pois só fala besteira. Mais interessante ainda é saber por que a grande mídia até hoje não comentou nada sobre os lucros de uma refinaria venezuelana instalada no EUA,que antes de Chaves, nunca foram enviados pra Venezuela. Será por que? Não sou contra falar as coisas, mas desde que falem a verdade. Outro fato curioso foi saber que o país vizinho já conseguiu extirpar o analfabetismo. Então por que os jornalistas de araques não informaram isso também? Será que não tem significado pra nossa mídia um ato nobre daquele?
Eu já venho há um bom tempo sugerindo a criação do prêmio “Mainardi de Jornalismo”. Com certeza haveria uma disputa muito acirrada todos os anos.
É patético a postura das empresas de jornais como Estadão, Globo e até mesmo Folha de São Paulo. Só mesmo otários para acreditarem nas suas falácias. Esses jornalões acham que podem fazer o que querem em outros países da américa latina como se fossem suas posses. Contudo suas práticas obscuras só funcionam no Brasil e olhá lá… Na verdade são provincianos e oportunistas. Uma verdadeira vergonha e enorme descalabro. Por isso são desprezados por muitos que conseguiram sair da alienação, felizmente. Do jeito que as coisas estão caminhando, os ardilosos jornalões vão tentar criar uma reserva de mercado para suas mentiras ( risos).
Pra encerrar, viva a internet e nossos corajosos blogueiros como este!!!