Engolindo Chávez
Jornalistas entrevistam jornalistas: mais uma inovação dos jornais brasileiros na cobertura das eleições da Venezuela

Alceu Nader | Textos | Segunda, 4 de Dezembro de 2006

O presidente reeleito da Venezuela, Hugo Chávez, ou melhor, a fixação dos grupos empresariais que controlam a mídia no Brasil com Chávez, está motivando novas práticas jornalísticas no Brasil. Pelo menos três jornalões – Folha de S.Paulo, O Estado de S.Paulo e O Globo – enviaram jornalistas para cobrir as eleições de ontem, mas a cobertura mais íntegra não é de nenhum deles: é do Valor Econômico, que não enviou repórter. A Folha, um dia antes da eleição, inventou um decreto de última hora que já existia há doze dias e que parece coibir a boca-de-urna. O mesmo decreto proíbe a venda de álcool, como no Brasil, mas o jornal não publicou esse detalhe, possivelmente para evitar a comparação que seus leitores fariam.

Na edição de hoje, na qual os jornalões tiveram de aceitar o resultado das urnas amplamente favorável a Hugo Chávez, com mais de 60% dos votos, as inovações continuaram. Todos cometem o que, até poucos anos, era inadmissível: entrevistam jornalistas para tentar explicar o que, afinal, acontece com o povo desse país vizinho, onde, a despeito de toda a campanha movida pelos grupos que controlam a imprensa no continente, Chávez continua vivo – pior, com novo mandato que lhe assegura mais seis anos no poder.

O Estado inovou um pouco além dos seus pares ao tentar criar uma “fraude eleitoral” que nem os vigilantes jornais venezuelanos constataram, ao trazer hoje denúncia ide rregularidade, feira por uma partidária do candidato derrotado por Chávez. Como de hábito, o jornal multiplicou o caso, atribuindo-lhe um coletivo que não existiu. A reportagem com o título “Oposição reclama e teme fraudes” não traz “a oposição”; na verdade, traz a história de uma mulher que foi desmascarada por uma funcionária do Conselho Nacional Eleitoral (CNE) após denunciar a “fraude”. O que aconteceu: a partidária anti-Chávez pretendia armar um escandalete para a imprensa internacional com uma grave “denúncia”: a tinta aplicada no polegar dos que já haviam votado não resistia à aplicação de álcool e acetona. A funcionária do CNE foi acionada e descartou a “fraude” ao ver vestígios de tinta nas unhas e na cutícula da denunciante. Nenhum jornal – nem os da Venezuela - comprou a história. Apenas o Estado. O caso bobo foi transformado em reclamação da oposição. Enquanto isso, na Venezuela, tanto a oposição quanto os jornais não questionam o resultado nas urnas.

A lei, ora a lei
Os que seguiram a lei e não sonegaram, quebraram

Alceu Nader | Textos | Segunda, 4 de Dezembro de 2006

A jornalista Rosangela Valente diz que associação estima que mercado negro de papel dá prejuízo de R$ 40 milhões/ano. Só em São Paulo.

Prezado Colega,

sou assessora de Comunicação da Associação Nacional dos Distribuidores de Papel (Andipa) e tenho feito um árduo trabalho para mostrar exatamente o que você coloca em seu texto. Na edição de novembro do Informativo Setorial publicamos uma matéria mostrando que gráficas e editoras têm registro especial junto à Receita Federal como Distribuidores de papel com imunidade tributária. Ou seja, além de utilizarem o papel indevidamente em impressos comerciais, algumas gráficas e editoras ainda abastecem outras gráficas, editoras e revendas numa operação que está corroendo o mercado de papel no Brasil. Para algumas empresas sérias, o custo por não aderir a este modelo de negócios foi a própria falência. Para os cofres públicos, federal e principalmente estadual, fica um rombo deixado pela sonegação. De acordo com estimativas da Andipa, só o estado de São Paulo perde cerca de R$ 40 milhões por ano.

Para ler a íntegra do original clique aqui