Dezembro 2006
Arquivo Mensal
Arquivo Mensal
Publicado por Alceu Nader em 25 Dez 2006 | sob: Notícias
Natal tem dessas coisas. Parece até que aquele Senhor barbudo, lá de cima, escolhe a data para transformar seres humanos em anjos. Foi assim, em 1977, com Charles Chaplin, em 1983 com o pintor catalão Joan Miro, e neste ano com João de Barro (Braguinha), que subiu na véspera, e o “pai do soul” James Brown. Quem dançou ou cantou as letras de Braguinha, ou sacolejou ao som do cantor negro, ganha mais uma conta de nostalgia para acrescentar ao colar que, inescapavelmente, nos aperta o pescoço nesses dias de reuniões familiares, troca de votos e presentes e muita comilança.
Por ser feriado, com exceção dos casos em que o obituário do artista já foi preparado com antecedência, a imprensa é pega de surpresa. De novo, a falsa percepção de que o mundo gira em ritmo mais lento nas páginas dos jornais é interrompida pela realidade: tudo mantém-se como nos demais dias do ano – os jornais é que estão vazios.
A vida de Braguinha foi muito mais rica do que aparece nos jornais de hoje. Por sorte, temos a Internet e os blogs, como o de Luís Nassif, que traz um dos relatos mais ricos sobre a passagem desse brasileiro. Ele diz, com a propriedade de quem conheceu a personagem pessoalmente: “Ao lado de Caymmi, era das derradeiras figuras reverenciais, de uma música que –ao contrário do país—aprendeu a amar e reconhecer os seus velhos”. Recomenda-se a leitura na íntegra, seguindo o link abaixo.
Sobre James Brown, apresentado resumidamente como o “pai do soul” nos sites dos principais jornais brasileiros, o noticiário de amanhã trará certamente mais riqueza de detalhes por causa do material caudaloso que as agências internacionais estão despejando nas redações vazias. Talvez se releve seu lado violento e de adepto das drogas – várias vezes, ele esteve preso por agressão doméstica e posse de substâncias ilegais, principalmente maconha. Brown foi preso pela primeira vez, por furto de carro, aos 16 anos. Talvez se reforce sua influência sobre outros astros da música pop, que vai de Prince a Michael Jackson, passando por Mick Jagger e David Bowie, entre outros, e que o funk abrasileirado das favelas cariocas é obra sua. Talvez, também, se esqueçam de ressaltar que ele foi um dos mais valentes defensores dos direitos civis dos negros dos EUA.
O ex-presidiário tem uma estátua em bronze em Atlanta, onde nasceu; Braguinha foi homenageado pela Mangueira no desfile de 1984, mas mereceu muito mais reconhecimento em vida – o que não aconteceu.
Íntegra de Luís Nassif Yes, nós temos banana
Publicado por Alceu Nader em 21 Dez 2006 | sob: Notícias
Dois dos colunistas da Folha de S.Paulo de hoje se enroscam em seus argumentos para substanciar críticas ao Congresso e ao presidente da República. Clóvis Rossi, ao tratar da autoconcessão, naufragada, de aumento dos salários dos parlamentares, cai em contradição.
De novo, a surrada confusão que a grande mídia faz entre sua própria opinião e a opinião pública verdadeira. Em várias circunstâncias, a confusão se estabelece. Para defender o que julga ser suas causas nobres, a imprensa apropria-se da “opinião pública” e converge suas reportagens, editoriais e colunas para aquilo que pretende. Quando se trata, porém, de responsabilizar a imprensa por eventuais falhas, a opinião pública deixa de ser aquela da qual a imprensa se apropirou para voltar a ser a pública. A prova está no trecho de seu comentário de hoje, “O fim do mundo”. Clóvis Rossi diz que a Mesa Diretora da Câmara pode repor os privilégios parlamentares “aproveitando as tradicionais letargia e distração do público”.
Que público? O da opinião pública que a imprensa acha que representa? Se for esse, quem entra em letargia e dispersão é a imprensa – e mais ninguém.
Faltou dizer quem é o pai-de-santo
A coluna assinada por Eliane Cantanhêde usa a simplificação costumeira da imprensa quando pretende impor o seu relógio para setores imunes ao imediatismo natural da mídia. Nessas, apela para o reducionismo da crítica e previsões despropositadas. Para ela, a permanência de Henrique Meirelles, no Banco Central, e de Guido Mantega, na Fazenda, é indício de que “nada indica que haverá mudanças, boas ou ruins, no segundo mandato” de Lula na Presidência. Assim fácil, ela projeta o futuro sem dar crédito ao pai-de-santo ou bola de cristal que sustenta sua previsão para os próximos quatro anos.
A catástrofe líquida e segura, entretanto, não se traduz em números, nem na redução da confiança da banca internacional em despejar dinheiro no Brasil. Contra a opinião dominante de editorialistas e colunistas, a principal reportagem do Valor Econômico de hoje, “Compra de empresas leva a recorde na captação externa”, informa que, neste ano, o governo e as empresas privadas brasileiras conseguiram US$ 38,91 bilhões em créditos e empréstimos no exterior – “o maior volume da história do país”. No ano. o crescimento foi de 18%; na concessão de empréstimos, outro crescimento percentual expressivo: 83%.
Das duas uma: ou os banqueiros mostram-se dispostos a perder dinheiro no país estagnado que é retratado pela imprensa, ou eles não dão a mínima para as previsões que a grande mídia traça sobre o futuro do Brasil.
Publicado por Alceu Nader em 20 Dez 2006 | sob: Notícias
Leitura comparada dos jornais Folha de S.Paulo, O Estado de S.Paulo e O Globo expõe que continua a edição conduzida dos dois maiores jornais paulistas
Os trechos em negrito mostram como os jornais de São Paulo omitem uma informação essencial.
Seguem as íntegras para conclusão dos leitores:
==
Folha de S.Paulo
“PALOCCI, BERZOINI E MALUF SÃO VAIADOS NA DIPLOMAÇÃO, EM SP”
Erundina é a mais aplaudida na solenidade; Serra é chamado de sanguessuga e vampiro, mas recebe apoio dos deputados
Platéia se manifestou também contra os ausentes Genoino e Valdemar Costa Neto; Clodovil recebeu um misto de vaias e aplausos
Catia Seabra, José Alberto Bombig
O ex-ministro da Fazenda Antonio Palocci Filho foi fragorosamente vaiado pelos mais de 300 convidados que assistiram ontem à solenidade de diplomação do governador e dos parlamentares eleitos por São Paulo. Houve gritos e protestos, oriundos inclusive da área ocupada por simpatizantes do PT, seu partido.
As vaias perduraram durante todo o ato de diplomação do deputado eleito, incluindo o percurso do plenário até a tribuna e o trajeto de volta do ex-ministro à cadeira reservada a ele.
Ao descer as escadarias que dão acesso à saída da Assembléia Legislativa, Palocci recuou ao perceber que era esperado por jornalistas e deixou o prédio pelos fundos.
Numa festa desbotada pelos escândalos políticos, Palocci não foi o único a ser vaiado. O presidente licenciado do PT, Ricardo Berzoini, e o ex-prefeito Paulo Maluf (PP) também foram alvos de protestos.
Nem os ausentes foram poupados. O anúncio dos nomes do ex-presidente do PT José Genoino e do presidente do PL, Valdemar Costa Neto, que renunciou para escapar cassação, produziu sonora vaia.
Além de Genoino, o presidente da Câmara, Aldo Rebelo, e o presidente do PMDB, Michel Temer, não foram à solenidade. Às voltas com a crise provocada com o reajuste do salário dos deputados, Aldo estava em Brasília. Houve poucas vaias à menção de seu nome.
Valdemar e Genoino não tiveram a mesma sorte. Outros deputados, como João Paulo Cunha (PT), Cândido Vacarezza (PT), Conte Lopes (PTB), e Vinicius Camarinha (PSB) também foram vaiados.
A ex-prefeita Luiza Erundina (PSB) foi a mais aplaudida em plenário. Entre os petistas, o senador reeleito Eduardo Suplicy, o líder do governo na Câmara, Arlindo Chinaglia, e o deputado José Eduardo Cardozo foram prestigiados por uma platéia em geral hostil.
Sobrou até para o governador eleito, José Serra. No momento de sua diplomação, um dos convidados se levantou e, da galeria, chamou o tucano de sanguessuga e vampiro. Em resposta, o público gritou o nome de Serra, provocando a adesão dos deputados aliados. Em retribuição ao coro, o governador eleito ergueu os braços.
Da galeria, o ex-deputado Pedro Corrêa (PP) - que teve mandato cassado ano passado - assistia à diplomação da filha, Aline, recém-eleita.
Marcada pelo constrangimento, a solenidade teve seus momentos de descontração, como constantes gritos de “lindo” saídos da galeria para o cantor Frank Aguiar (PTB). O deputado eleito foi “homenageado” por “uivos” de seus fãs, em gesto que se repete nos shows. A diplomação do costureiro Clodovil Hernandes (PTC) também foi ruidosa, em um misto de vaias e aplausos.
Após posar para fotos com deputados eleitos e agendar audiências até com petistas, Serra deixou a Alesp esquivando-se das polêmicas: pelos fundos.
A galeria da Alesp tem 234 cadeiras. Pelo menos outras 50 pessoas assistiram à cerimônia de pé. Não foi fixada cota de convidados por diplomado.
==
O Estado de S.Paulo
“SOB VAIAS, DEPUTADOS ACUSADOS EM ESCÂNDALOS SÃO DIPLOMADOS EM SP”
Maluf foi um dos principais alvos, mas Palocci, Berzoini e Vadão também não foram poupados na diplomação
Ana Paula Scinocca, Clarissa Oliveira e Silvia Amorim
A diplomação dos 169 eleitos por São Paulo (deputados estaduais, federais, senador e suplentes, o governador José Serra e o vice Alberto Goldman) ontem na Assembléia Legislativa foi marcada por protesto contra parlamentares acusados em escândalos de corrupção. Alguns deputados receberam o diploma de eleito sob vaias do público: o ex-prefeito Paulo Maluf (PP), o presidente licenciado do PT, Ricardo Berzoini, o ex-ministro da Fazenda Antonio Palocci (PT) e o deputado Vadão Gomes (PP).
O ex-deputado Valdemar Costa Neto (PL) e o ex-presidente do PT José Genoino, mesmo ausentes, não escaparam das manifestações. O presidente da Câmara, Aldo Rebelo (PC do B), e os deputados Michel Temer (PMDB) e João Mellão (PFL) também faltaram.
Sob suspeita de envolvimento no dossiê Vedoin, Berzoini deixou a sede do Legislativo paulista irritado. Evitou falar das vaias e somente se pronunciou sobre o polêmico reajuste salarial dos parlamentares. O tema foi a principal preocupação de deputados no encontro. Por várias vezes, eles pediram aos jornalistas informações sobre o julgamento do aumento no Supremo Tribunal Federal (STF).
Acusado no esquema do mensalão, o ex-presidente da Câmara João Paulo Cunha (PT) foi um dos poucos petistas a escapar das vaias. Mas, constrangido, evitou a imprensa.
A cerimônia teve momentos de descontração protagonizados pelo estilista Clodovil Hernandez (PTC) e pelo cantor Frank Aguiar (PTB). Estreantes no Congresso, eles arrancaram gritos e aplausos entusiasmados do público. Serra foi aplaudido de pé.
==
O Globo
“AUSENTE, ALDO É VAIADO EM ATO DE DIPLOMAÇÃO”
Adauri Antunes Barbosa
O presidente da Câmara dos Deputados, Aldo Rebelo (PCdoBSP), foi vaiado ontem durante a diplomação dos eleitos este ano em São Paulo. Ele não estava presente à solenidade de entrega dos diplomas, realizada na Assembléia Legislativa de São Paulo. Mesmo assim, recebeu vaias do público que lotava a galeria quando seu nome foi chamado. Outros deputados, envolvidos no escândalo do mensalão, também foram vaiados.
A maioria do público, ligada ao governador eleito, o tucano José Serra, também diplomado, começou o coro de vaias quando o ex-ministro da Fazenda Antonio Palocci, eleito deputado federal pelo PT, foi receber o seu diploma. Serra e Palocci não falaram nem deram entrevistas.
Em seguida, as vaias foram para deputado reeleito Ricardo Berzoini, presidente afastado do PT, que também recebeu aplausos.
Outro ex-presidente do PT, José Genoino, deputado federal eleito, também não foi à solenidade, mas recebeu muitas vaias misturadas a aplausos, assim como o deputado federal eleito Valdemar Costa Neto (PL), envolvido no mensalão mas reeleito, depois de ter renunciado ao mandato para não ser cassado.
Ao ser chamado para receber o diploma, o ex-prefeito e deputado eleito Paulo Maluf (PP) caminhou devagar, mancando, de bengala, enquanto era vaiado.
Maluf, que recebeu 740 mil votos (a maior votação do país para deputado federal), foi denunciado segunda-feira pelo Ministério Público Federal por lavagem de dinheiro, evasão de divisas e formação de quadrilha.
— Em 39 anos de vida pública, não tive uma condenação penal e não preciso do foro privilegiado.
Os 740 mil votos que eu tive é porque trabalhei por este estado e vou continuar trabalhando — disse Maluf.
Antes de ser diplomado, Clodovil, que recebeu 493 mil votos, assinou o abaixo-assinado contra o reajuste de 90,7% para deputados e senadores, com bom-humor: — Tudo o que mandarem eu faço. Eu já disse uma vez que, em curral alheio, o boi é vaca.
-Eu não sou contra, não sou a favor, não sou nada. Eu não sei ainda. Vou aprender durante o ano, tanto que meu salário eu já doei. Não quero meu salário injusto, não sei ainda fazer esse trabalho. Então, o primeiro ano vou fazer esse benefício com ele.
Único do PSOL em São Paulo, o deputado federal reeleito Ivan Valente, que era do PT, criticou os líderes que aprovaram os 90,7% de aumento para os parlamentares: — A indignação da população funcionou, a pressão popular de baixo para cima funcionou, e espero que essa pressão popular continue se manifestando com outras questões da agenda política do país — disse.
(…)
(Seguem informações sobre diplomações em outros estados.)
==
Fica a pergunta: Por que os jornais de São Paulo não informaram que a claque foi contratada pelo PSDB?
Publicado por Alceu Nader em 20 Dez 2006 | sob: Notícias
Intervenção no trabalho dos jornalistas desceu à troca de palavras em textos prontos e entrevistados escolhidos a dedo
Entrevista com José Serra teve perguntas selecionadas com o propósito de levantar a bola do candidato; para os demais, dureza nas perguntas
Mais uma prova de comprometimento da grande mídia chega à minha caixa postal: uma cópia da carta de despedida do repórter Rodrigo Vianna, divulgada no sistema de correio interno da Rede Globo. O texto é longo e triste, mas também esperançoso. Nem todos se submetem aos futres que se crêem jornalistas e que, por seu servilismo, hoje substituem o falecido Evandro Carlos de Andrade no comando do jornalismo das Organizações Globo.
À carta:
==
“LEALDADE”
“O que vivemos aqui entre setembro e outubro de 2006 não foi ficção. Aconteceu”, diz ele, referindo-se aos desmandos dos novos chefes. “Intervenção minuciosa em nossos textos, trocas de palavras a mando de chefes, entrevistas de candidatos (gravadas na rua) escolhidas a dedo, à distância, por um personagem quase mítico que paira sobre a Redação: ‘o fulano (e vocês sabem de quem estou falando) quer esse trecho; o fulano quer que mude essa palavra no texto’”.
“Tudo isso aconteceu. E nem foi o pior”.
“Na reta final do primeiro turno, os ‘aloprados do PT’ aprontaram; e aloprados na chefia do jornalismo global botaram por terra anos de esforço para construir um novo tipo de trabalho aqui. Ao lado de um grupo de colegas, entrei na sala de nosso chefe em São Paulo, no dia 18 de setembro, para reclamar da cobertura e pedir equilíbrio nas matérias: ‘por que não vamos repercutir a matéria da Istoé, mostrando que a gênese dos sanguessugas ocorreu sob os tucanos? Por que não vamos a Piracicaba, contar quem é Abel Pereira?
“Por que isso, por que aquilo… Nenhuma resposta convincente. E uma cobertura desastrosa. Será que acharam que ninguém ia perceber?”
“Quando, no JN (Jornal Nacional), chamavam Gedimar e Valdebran de “petistas” e, ao mesmo tempo, falavam de Abel Pereira como empresário ligado a um ex-ministro do ‘governo anterior’, acharam que ninguém ia achar estranho?”
“Faltando seis dias para o primeiro turno, o ‘petista’ Humberto Costa foi indiciado pela Polícia Federal. No caso dos vampiros. O fato foi parar em manchete no JN, e isso era normal. O anormal é que, no mesmo dia, esconderam o nome de Platão, ex-assessor do ministério na época de Serra/Barjas Negri. Os chefes sabiam da existência de Platão (NR:Platão Fischer Pühler, ex-diretor do Departamento de Programas Estratégicos do Ministério da Saúde no governo FHC,homem de confiança de José Serra, acusado por corrupção com hemoderivados), pediram a produtores pra checar tudo sobre ele, mas preferiram não dar. Que jornalismo é esse, que poupa e defende Platão, mas detesta Freud! Deve haver uma explicação psicanalítica para jornalismo tão seletivo!”
(…)
“Não vi matérias mostrando as conexões de Platão com Serra, com os tucanos. Também não vi (antes do primeiro turno) reportagens mostrando quem era Abel Pereira, quem era Barjas Negri, e quais eram as conexões deles com PSDB. Mas vi várias matérias ressaltando os personagens petistas do escândalo. E, vejam: ninguém na Redação queria poupar os petistas (eu cobri durante meses o caso Santo André; eram matérias desfavoráveis a Lula e ao PT, nunca achei que não devêssemos fazer; seria o fim da picada…).”
“O que pedíamos era isonomia. Durante duas semanas, às vésperas do primeiro turno, a Globo de São Paulo designou dois repórteres para acompanhar o caso dossiê: um em São Paulo, outro em Cuiabá. Mas, nada de Piracicaba, nada de Barjas.!”
“Um colega nosso chegou a produzir, de forma precária, por telefone (vejam, bem, por telefone! Uma TV como a Globo fazer reportagem por telefone), reportagem com perfil do Abel. Foi editada, gerada para o Rio. Nunca foi ao ar!”
“Os telespectadores da Globo nunca viram Serra e os tucanos entregando ambulâncias cercados pelos deputados sanguessugas. Era o que estava na tal fita do ‘dossiê’. Outras TVs mostraram o vídeo, a internet mostrou. A Globo, não. Provava alguma coisa contra Serra? Não. Ele não era obrigado a saber das falcatruas de deputados do baixo clero. Mas, por que demos o gabinete de Freud pertinho de Lula, e não demos Serra com sanguessugas?”
“E o caso gravíssimo das perguntas para o Serra? Ouvi, de pelo menos 3 pessoas diretamente envolvidas com o SP-TV Segunda Edição, que as perguntas para o Serra, na entrevista ao vivo no jornal, às vésperas do primeiro turno, foram rigorosamente selecionadas. Aquele diretor (aquele, vocês sabem quem) teria mandado cortar todas as perguntas ‘desagradáveis’. A equipe do jornal ficou atônita. Entrevistas com os outros candidatos tinham sido duras, feitas com liberdade. Com o Serra, teria havido, deliberadamente, a intenção de amaciar.”
(…)
“E as fotos da grana dos aloprados? Tínhamos que publicar? Claro. Mas, porque não demos a história completa? Os colegas que estavam na PF naquele dia (15 de setembro), tinham a gravação, mostrando as circunstâncias em que o delegado vazara as fotos. Justiça seja feita: sei que eles (repórter e produtor) queriam dar a matéria completa - as fotos, e as circunstâncias do vazamento. Podiam até proteger a fonte, mas escancarando o que são os bastidores de uma campanha no Brasil. Isso seria fazer jornalismo, expor as entranhas do poder.”
“Mais uma vez, fomos seletivos: as fotos mostradas com estardalhaço. A fita do delegado, essa sumiu!”
“Aquele diretor, aquele que controla cada palavra dos textos de política, disse que só tomou conhecimento do conteúdo da fita no dia seguinte. Quer que a gente acredite? Por que nunca mostraram o conteúdo da fita do delegado no JN? O JN levou um furo, foi isso?”
“Um colega nosso, aqui da Globo ouviu a fita e botou no site pessoal dele… Mas, a Globo não pôs no ar… O portal G-1 botou na íntegra a fita do delegado, dias depois de a CartaCapitalter dado o caso. Era noticia? Para o portal das Organizações Globo, era. Por que o JN não deu no dia 29 de setembro? Levou um furo? Não. Furada foi a cobertura da eleição. Infelizmente”.
“E, pra terminar, aquele episódio lamentável do abaixo-assinado, depois das matérias da CartaCapital. Respeito os colegas que assinaram. Alguns assinaram por medo, outros por convicção. Mas, o fato é que foi um abaixo-assinado em defesa da Globo, apresentado por chefes!”
“Muitos preferiram assinar. Por isso, talvez, tenhamos um metalúrgico na Presidência da República, enquanto os jornalistas ficaram falando sozinhos nessa eleição…
“De resto, está difícil continuar fazendo jornalismo numa emissora que obriga repórteres a chamarem negros de “pretos e pardos”. Vocês já viram isso no ar? Sinto vergonha…”
(…)
“Respeito a imensa maioria dos colegas que ficam aqui. Tenho certeza que vão continuar se esforçando pra fazer bom Jornalismo. Não será fácil a tarefa de vocês.”
“Olhem no ar. Ouçam os comentaristas. As poucas vozes dissonantes sumiram. Franklin Martins foi afastado. Do Bom dia Brasil ao Jornal da Globo, temos um desfile de gente que está do mesmo lado.”
”Mas sabem o que me deixou preocupado mesmo? O texto do João Roberto Marinho depois das eleições.”
“Ele comemorou a reação (dando a entender que foi absolutamente espontânea; será que disseram isso pra ele? Será que não contaram a ele do mal-estar na Redação de São Paulo?) de jornalistas em defesa da cobertura da Globo: ‘(…)diante de calúnias e infâmias, reagem, não com dúvidas ou incertezas, mas com repúdio e indignação. Chamo isso de lealdade e confiança’.”
“Entendi. Ele comemora que não haja dúvidas e incertezas… Faz sentido. Incerteza atrapalha fechamento de jornal. Incerteza e dúvida são palavras terríveis. Devem ser banidas. Como qualquer um que diga que há racismo - sim - no Brasil.”
“E vejam o vocabulário: ‘lealdade e confiança’. Organizações ainda hoje bem populares na Itália costumam usar esse jargão da ‘lealdade’.”
“Caro João, você talvez nem saiba direito quem eu sou.”
“Mas, gostaria de dizer a você que lealdade devemos ter com princípios, e com a sociedade. A Globo, infelizmente, não foi ‘leal’ com o público. Nem com os jornalistas.Vai pagar o preço por isso. É saudável que pague. Em nome da democracia!”
“João, da família Marinho, disse mais no brilhante comunicado interno:
‘Pude ter certeza absoluta de que os colaboradores da Rede Globo sabem que podem e devem discordar das decisões editoriais no trabalho cotidiano que levam à feitura de nossos telejornais, porque o bom jornalismo é sempre resultado de muitas cabeças pensando’.”
“Caro João, em que planeta você vive? Várias cabeças? Nunca, nem na ditadura (dizem-me os companheiros mais antigos) tivemos na Globo um jornalismo tão centralizado, a tal ponto que os repórteres trabalham mais como bonecos de ventríloquos, especialmente na cobertura política!”
“Cumpro agora um dever de lealdade: informo-lhe que, passadas as eleições, quem discordou da linha editorial da casa foi posto na ‘geladeira’. Foi lamentável, caro João. Você devia saber como anda o ânimo da Redação - especialmente em São Paulo.”
“Boa parte dos seus ‘colaboradores’ (você, João, aprendeu direitinho o vocabulário ideológico dos consultores e tecnocratas – ‘colaboradores’, essa é boa… Eu não sou colaborador, coisa nenhuma! Sou jornalista!) está triste e ressabiada com o que se passou.”
“Mas, isso tudo tem pouca importância”.
“Grave mesmo é a tela da Globo - no Jornalismo, especialmente - não refletir a diversidade social e política brasileira. Nos anos 90, houve um ensaio, um movimento em direção à pluralidade. Já abortado. Será que a opção é consciente?”
(…)
“Pra quem conseguiu chegar até o fim dessa longa carta, preciso dizer duas coisas…”
“1) Sinto-me aliviado por ficar longe de determinados personagens, pretensiosos e arrogantes, que exigem ‘lealdade’; parecem ‘poderosos chefões’ falando com seus seguidores… Se depender de mim, como aconteceu na eleição, vão ficar falando sozinhos.”
“2) Mas, de meus colegas, da imensa maioria, vou sentir saudades.”
(…)
“Bem, pelo tom um tanto ácido dessa carta pode não parecer. Mas levo muita coisa boa daqui.”
“Perdi cabelos e ilusões. Mas, não a esperança.”
“Um beijo a todos.”
Rodrigo Vianna.
==
O “chefe” a que Rodrigo Vianna se refere é Ali Kamel, o “ético”.
Publicado por Alceu Nader em 18 Dez 2006 | sob: Notícias
A morte de um ditador, para a minha geração, de cinquenta e tantos, tem o valor acrescido da experiência vivida com vítimas de várias ditaduras latino-americanas, inclusive a brasileira.
Por isso, não poderia deixar de passar adiante um poema anônimo recebido de um antigo amigo, também jornalista, José Eduardo Mendonça.
Trata-se de um xingamento à medida para o ditador, hoje uma alma penada. E redime, muito pouco, a perda de Neftali Ricardo Reyes, o nome verdadeiro de Pablo Neruda, o poeta nóbel dos chilenos, que morreu um mês depois do golpe de 11 de setembro de 1973.
Às palavras:
A usted señor me dirijo
Que ha nacido en este suelo,
A usted legítimo hijo de perra y perro chileno.
A usted que tiene el orgullo de ser el gran carcelero,
De ser el gran traidor y embustero.
A usted que tiene las manos manchadas con sangre humana,
A usted que tiene su vida y su alma condenada.
A usted que cuida el tesoro de sus amos industriales,
A usted que es especialista en torturas infernales,
A usted que con tanta muerte quiere llenarse de gloria,
A usted que quiere atajar el caminar de la historia,
A usted que será después de nuestra final victoria
Un desgraciado recuerdo de putrefacción y escoria
A usted que estará consciente de su derrota cercana
Que sabe que si no es hoy, bien pudiera ser mañana

Publicado por Alceu Nader em 18 Dez 2006 | sob: Notícias

Os senhores acima posam para foto tirada oito dias após o golpe de estado de 11 de setembro de 1973, que derrubou o presidente eleito do Chile, Salvador Allende. Sentado, a figura mais abjeta da história da América Latina, tem sua vaga garantida no inferno. Augusto Pinochet Ugarte escapou da prisão sob a alegação de “incapacidade severa” para se defender do único processo que ameaçou pôr fim à sua impunidade, movido pelo juiz espanhol Baltasar Garzón, em 1999. Sua impunidade credita-se, sobretudo, ao ex-presidente chileno, Eduardo Frei, democrata-cristão, autor da carta que acabou com a prisão domiciliar em um castelo da Inglaterra, onde o ditador foi mantido em exílio forçado de 503 dias, para escapar da ordem de prisão internacional expedida por Garzón. Pinochet era acusado de co-autor e autor dos seqüestros e mortes cometidos pela “Caravana da Morte”, em um dos 300 processos criminais nos quais era acusado como autor ou indutor. O fim da prisão domiciliar e da possibilidade do assassino ser julgado na Espanha deveu-se, além de Frei, ao ministro do Interior, Jack Straw, e seu chefe, o primeiro-ministro, Tony Blair.
Ao desembarcar no Chile, o crápula deixou a cadeira de rodas que fazia parte da encenação de sua doença e saiu caminhando para receber o abraço de milicos e autoridades.
Straw e Blair, três anos, depois abonariam a invasão do Iraque com a acusação – depois desmentida – de que Saddam Hussein possuía um arsenal de armas de destruição em massa.
Publicado por Alceu Nader em 18 Dez 2006 | sob: Notícias
Não se trata de novidade – o guitarrista Ry Cooder sofreu a mesma penalidade por ter produzido o álbum histórico “Buena Vista Social Club” –, mas não deixa de surpreender pela idiotice, que foi noticiada com destaque no exterior, de onde foi colhida para o Contrapauta. O cineasta Oliver Stone (“Platoon”) foi multado em US$ 6.332 pelo Escritório de Controle de Bens Estrangeiros, órgão do Tesouro Nacional dos EUA por “violações ocorridas durante a realização do documentário “Comandante”, entre fevereiro de 2002 e maio de 2003”. A produtora do documentário, IXTLAN, também foi castigada
Publicado por Alceu Nader em 11 Dez 2006 | sob: Notícias
Esta inserção esperou três dias para ser publicada, para não cometer injustiça ou pecar pela pressa. A precaução não se justificou, confirmando, mais uma vez, os argumentos de ocasião dos jornalões. Se condiz com aquilo que seus donos pensam, publica-se; se vai na mão contrária, omite-se.
Estou me referindo ao informe anual do instituto chileno, Latinobarómetro, que, desde 1995, revela, por essa época do ano, o que os latino-americanos pensam sobre seus governos, o que esperam do futuro e suas aspirações sobre viver em democracia. O material, tido como respeitável e repercutido pelos principais meios de informação do Ocidente, ganhou muito espaço nos últimos anos, principalmente porque trazia a má notícia de que o cidadão do continente mostrava-se saudoso com as ditaduras militares que, em épocas diferentes, aterrorizaram o continente. A propósito, estou convencido de que Pinochet não descansará em paz.
O mais recente levantamento saiu na última sexta-feira, com uma boa notícia: a América Latina voltou a acreditar na democracia. De quebra, traz ainda que o presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, é o mais bem avaliado dentre os 20 mil entrevistados de 18 países diferentes. O espanhol El País trouxe, no sábado, 7.700 caracteres, duas tabelas, três gráficos e três fotos, ocupando uma página inteira, na reportagem “América Latina volta a acreditar na democracia”. No Brasil, o único jornalão a abrir espaço foi a Folha de S.Paulo, com 3.900 caracteres. No Correio Braziliense, O Estado de S.Paulo e O Globo, silêncio profundo e a impressão de censura para temas que mostrem um país diferente do que seus controladores supõem.
Nem sempre houve essa indiferença. Os mesmos jornais que agora ignoram o Latinobarómetro, até bem pouco tempo, mostravam maior interesse por seus números. O Estado, por exemplo, em 29 de outubro passado, coincidentemente no mesmo dia do segundo turno, trouxe curiosa entrevista com a diretora do instituto, Marta Lagos, na qual ela apontava a indiferença do eleitor latino-americano em eleger um “governante arranhado por escândalos”. Qualquer semelhança, terá sido mera coincidência. Na sua avaliação, Marta Lagos concluiu que eleitor latino americano mostrava-se “acostumado com regimes em que há corrupção”. A bronca era outra. “Esse mesmo eleitorado”, disse, “se sente hoje enganado pelo processo de privatizações, que lhe foi (mal) vendido como uma panacéia de prosperidade que não resolveu os problemas do País, segundo a compreensão dos segmentos mais pobres”.
Seguem, abaixo, alguns trechos da reportagem do El País (os títulos em negrito são do blog):
Avaliação da democracia
“O otimismo democrático apóia-se em dois fatores principais, segundo a diretora do Latinobarómetro, Marta Lagos: ‘É um dividendo das eleições e uma conseqüência da bonança econômica’, explica. Efetivamente, 2006 foi um ano eleitoral intenso, com eleições presidenciais em 12 países. Segundo Lagos, assiste-se, na América Latina, ao fortalecimento de uma ‘democracia experimental’: as pessoas estão se convencendo das vantagens do pluralismo político quando experimenta seu funcionamento nas urnas”.
Prosperidade econômica
“A prosperidade econômica também está claramente vinculada com o maior respaldo à democracia. Em 2006, o crescimento do PIB na região será maior do que 3,5% pelo terceiro ano seguido, e essa melhora coincide com um aumento de cinco pontos na opinião de que ‘a democracia é preferível a qualquer outra forma de governo’. Desde a primeira vez que o barômetro fez essa pergunta, em 1977, é surpreendente a coincidência entre as opiniões a favor da democracia e o estado da economia: o apoio à democracia era de 63% em 1997, caiu para 48% em 2001, quando a região teve taxas negativas de crescimento, e voltou este ano para 58%”.
Parlamento e mobilizações de protesto
“Outro matiz que deve ser acrescentado a esse respaldo à democracia são aqueles que o Latinobarómetro chama de ‘rebeldes cívicos’, os cidadãos que duvidam da eficiência do voto e rechaça a participação convencional na vida política. Formas habituais de participação, como sobre política, assinar uma petição ou assistir a uma manifestação sofreram uma queda quase constante nos últimos anos. Também as instituições que fazem a intermediação entre os cidadãos e as autoridades, como os partidos políticos ou o Congresso, sofreram uma perda importante. Mais de um terço dos entrevistados acredita que a democracia poderia funcionar sem os partidos. Os “rebeldes cívicos”, 14% da população, dizem que a maneira mais eficiente para mudar as coisas é participando de movimentos de protesto”.
Enfraquecimento do conceito de direita e esquerda
“Embora os partidos que se apresentaram como de esquerda foram os mais bem sucedidos nas eleições de 2006, a maioria dos latino-americanos define-se como de centro ou de direita. Numa escala de 0 a 10, onde 0 sería a extrema-esquerda e 10 a extrema-direita, a região, em seu conjunto, coloca-se casi no centro, com 5,4. Mais: os que se identificam com a esquerda (nota entre 0 e 3) nunca são mais do que 34% da população. Ao contrario, há países em que cerca da metade da população se considera de direita (entre 7 e 10). ‘É um erro dizer que a América Latina converge para a esquerda’, diz Marta Lagos. “O que se vê com mais clareza é uma renovação das elites”.
Presidentes mais conhecidos e presidentes mais populares
O informe termina com uma classificação dupla dos líderes americanos, segundo o nível de conhecimento dos cidadãos e segundo sua popularidade. Entre os dois presidentes mais conhecidos figuram um de fora da região, George W. Bush, e outro afastado do poder por causa de seu estado de saúde, Fidel Castro. Quando se pede para os entrevistados avaliarem Bush ou Fidel, 21%, em ambos os casos, respondem que não sabem quem é ou não respondem. Este percentual chega a 29% para o venezuelano Hugo Chávez e a 49% para o brasileiro Lula.
Líder latino-americano melhor avaliado
“O líder mais apreciado na América Latina é Lula. Ele recebe a nota 5,8 sobre 10. Em três países, Venezuela, Brasil e Peru, mais da metade da população tem uma avaliação positiva de Lula, com nota igual ou superior a 7. Em seguida, vem a chilena Michelle Bachelet, com 5,5. No fim da fila, estão Fidel Castro (4,4), o peruano Alan García (4,5), George W. Bush e Hugo Chávez (4,6). Marta Lagos conclui que ‘ser líder na América Latina e ter a simpatia dos povos da região, é um assunto difícil’. Por um lado, Hugo Chávez é o presidente eleito que alcançou os maiores níveis de conhecimento. Mas 39% tem uma opinião negativa sobre ele. Lula, por sua vez, é o melhor avaliado, mas é conhecido apenas por 51% da população: ‘Um perfil de liderança positivo ao qual falta aumentar seu nível de conhecimento para ser considerado um líder regional’, diz Marta Lagos”.
Publicado por Alceu Nader em 04 Dez 2006 | sob: Notícias
O presidente reeleito da Venezuela, Hugo Chávez, ou melhor, a fixação dos grupos empresariais que controlam a mídia no Brasil com Chávez, está motivando novas práticas jornalísticas no Brasil. Pelo menos três jornalões – Folha de S.Paulo, O Estado de S.Paulo e O Globo – enviaram jornalistas para cobrir as eleições de ontem, mas a cobertura mais íntegra não é de nenhum deles: é do Valor Econômico, que não enviou repórter. A Folha, um dia antes da eleição, inventou um decreto de última hora que já existia há doze dias e que parece coibir a boca-de-urna. O mesmo decreto proíbe a venda de álcool, como no Brasil, mas o jornal não publicou esse detalhe, possivelmente para evitar a comparação que seus leitores fariam.
Na edição de hoje, na qual os jornalões tiveram de aceitar o resultado das urnas amplamente favorável a Hugo Chávez, com mais de 60% dos votos, as inovações continuaram. Todos cometem o que, até poucos anos, era inadmissível: entrevistam jornalistas para tentar explicar o que, afinal, acontece com o povo desse país vizinho, onde, a despeito de toda a campanha movida pelos grupos que controlam a imprensa no continente, Chávez continua vivo – pior, com novo mandato que lhe assegura mais seis anos no poder.
O Estado inovou um pouco além dos seus pares ao tentar criar uma “fraude eleitoral” que nem os vigilantes jornais venezuelanos constataram, ao trazer hoje denúncia ide rregularidade, feira por uma partidária do candidato derrotado por Chávez. Como de hábito, o jornal multiplicou o caso, atribuindo-lhe um coletivo que não existiu. A reportagem com o título “Oposição reclama e teme fraudes” não traz “a oposição”; na verdade, traz a história de uma mulher que foi desmascarada por uma funcionária do Conselho Nacional Eleitoral (CNE) após denunciar a “fraude”. O que aconteceu: a partidária anti-Chávez pretendia armar um escandalete para a imprensa internacional com uma grave “denúncia”: a tinta aplicada no polegar dos que já haviam votado não resistia à aplicação de álcool e acetona. A funcionária do CNE foi acionada e descartou a “fraude” ao ver vestígios de tinta nas unhas e na cutícula da denunciante. Nenhum jornal – nem os da Venezuela - comprou a história. Apenas o Estado. O caso bobo foi transformado em reclamação da oposição. Enquanto isso, na Venezuela, tanto a oposição quanto os jornais não questionam o resultado nas urnas.
Publicado por Alceu Nader em 04 Dez 2006 | sob: Notícias
A jornalista Rosangela Valente diz que associação estima que mercado negro de papel dá prejuízo de R$ 40 milhões/ano. Só em São Paulo.
Prezado Colega,
sou assessora de Comunicação da Associação Nacional dos Distribuidores de Papel (Andipa) e tenho feito um árduo trabalho para mostrar exatamente o que você coloca em seu texto. Na edição de novembro do Informativo Setorial publicamos uma matéria mostrando que gráficas e editoras têm registro especial junto à Receita Federal como Distribuidores de papel com imunidade tributária. Ou seja, além de utilizarem o papel indevidamente em impressos comerciais, algumas gráficas e editoras ainda abastecem outras gráficas, editoras e revendas numa operação que está corroendo o mercado de papel no Brasil. Para algumas empresas sérias, o custo por não aderir a este modelo de negócios foi a própria falência. Para os cofres públicos, federal e principalmente estadual, fica um rombo deixado pela sonegação. De acordo com estimativas da Andipa, só o estado de São Paulo perde cerca de R$ 40 milhões por ano.
Para ler a íntegra do original clique aqui