Caso Celso Daniel
Carta Capital mostra como imprensa deixa-se usar, quando lhe convém
A capa da revista Carta Capital, “O Segundo Enterro de Celso Daniel”, assinada pelo repórter Raimundo Rodrigues Pereira, traz o relato mais sólido sobre a conclusão da delegada civil Elisabete Sato, responsável pelo inquérito reaberto sobre o assassinato do ex-prefeito de Santo André. A delegada chegou à mesma conclusão do inquérito anterior: o crime foi comum; não teve motivação política.
Dois repórteres - Lílian Christofoletti, da Folha de S.Paulo, e Fausto Macedo, do O Estado de S.Paulo – ganham algumas linhas no texto da revista como exemplos de casos em que a mídia deixa-se usar, quando lhe convém para reforçar sua versão dos fatos. Como os promotores de Santo André, o importante era consolidar a tese de que o crime foi encomendado, conclusão essencial para transformar o assassinato do ex-prefeito em crime político. Para interpretar esse papel, os repórteres de ambos os jornais optaram pelo enxovalho à carreira da delegada. Convenientemente, esqueceram-se dos detalhes resgatados por Raimundo Rodrigues Pereira.
A Folha jogou Elisabete Santo na fossa da incompetência proposital. O Estado dfoi mais longe. Descarregou o editorial “Arquivamento suspeito”, dizendo que, “pela forma e pelo conteúdo”, o resultado do inquérito assinado pela delegada deixa de ser duvidoso para se tornar suspeito. Às favas, portanto, o currículo e os prêmios de reconhecimento que a delegada recebeu em 30 anos de serviço público. O que importou, para os repórteres dos jornais, como mostra a reportagem da Carta Capital, foi manchar a reputação da delegada para encobrir a incompetência do Ministério Público de Santo André. Não foi a primeira vez que a imprensa se deixou utilizar no caso. No ano passado, conta a revista. No pico da onda de denúncias contra o PT e contra o governo Lula, no ano passado, os mesmos promotores plantaram o “clamor público” na imprensa para obter a reabertura do caso para reabrir o caso - e conseguiram incluir o caso na CPI dos Bingos. Inútilmente.
A revista Veja também participou na criação do “clamor público” no ano passado. Nesta semana, não traz palavra sobre o relatório da delegada, apesar da capa “Celso Daniel, um fantasma assombra o PT, publicada em outubro do ano passado. O silêncio e o desserviço aos seus leitores podem ter várias motivações. Uma delas é que, para confirmar a versão dos fatos apontada pela Folha e pelo Estado, teria de renegar a capa da Veja São Paulo, de março de 2004, quando Elisabete Sato foi apresentada como “A Xerife dos Jardins”, em reportagem sobre as mudanças por ela promovidas no 78º Distrito Policial, responsável pela segurança da área dos Jardins, a mais rica de São Paulo. Descontando-se a obstinação da revista pela “nobreza” da região e a mão de tinta de vanidade sobre os hábitos e costumes da delegada, a reportagem documenta, em números, sua eficiência no comando da delegacia.
O passeio acima sobre os conteúdos de parte da imprensa praticada em São Paulo mostra mais que silêncios, aleivosias, injúrias e contradições. Mostra, acima de tudo, que, para deformar a realidade e reforçar sua versão dos fatos, a imprensa não titubeia em manchar reputações. É a ditadura da opinião, que prevaleceria não fosse a reportagem da Carta Capital. Recomenda-se a leitura na íntegra na versão impressa; o site da revista não reproduz o conteúdo da versão impressa.
Quase um mês após a definição do segundo turno com a vitória esmagadora do atual presidente, certa imprensa insiste no jogo baixo que tem caracterizado o cenário político nos últimos meses.
O caso Celso Daniel provavelmente passará para a história como a mais sórdida das tentativas de setores políticos ligados ao tucanato paulista na desqualificação do PT e de alguns de seus quadros mais influentes. Como no futebol, se não conseguem na bola, apelam para a canelada. As duas derrotas nas eleições presidenciais demonstram que, nacionalmente, a bola não é seu forte. Resta o jogo baixo, com a ajuda da imprensa e da mais que preocupante ajuda da Promotoria Pública.
Não se veja aqui a defesa do PT ou de quaisquer de seus membros. Setores do partido contribuíram para a desmoralização da política como instrumento de mudança. Esse é o débito que o petismo vai demorar muito a saldar, além de ter levantado a bola para os virulentos ataques dos defensores da iníqua desigualdade social brasileira. Ou seja, não é preciso inventar nada: o partido tropeçou nas próprias pernas, do que a ultrapassada tentativa de aparelhamento do Estado é sua face mais visível. Entretanto, não se pode assistir passivamente a essa tentativa canhestra de transformar o PT, queiramos ou não, único partido digno do nome no Brasil, reduto de bandoleiros e criminosos.
O papel de certa imprensa, um dos braços do poder, não chega a surpreender, o que foi desmascarado no grande fórum democrático virtual em que se transformaram inúmeros blogs. Já a instrumentalização política de setores da Promotoria Pública pode ser a ponta do iceberg da caixa- preta em que se transformou a Justiça brasileira, e o que é mais grave, paga com o dinheiro dos impostos.
Os promotores daquela cidade do ABC insistem na continuidade das investigações, apesar de todas as evidências em contrário, no que contam com o apoio de parte da imprensa. Se por um lado isso constitua fator possível desgaste ao PT, por outro não deixa de ser uma oportunidade para desmascarar de vez a ação de alguns promotores públicos a serviço de interesses políticos inconfessáveis. Numa é demais lembrar que a Constituição de 1988 consagrou ao MInistério Público a missão da defesa dos interesses da sociedade. A prática daqueles promotores de Santo André vai na contramão. Lamentável.
cid cancer
mogi das cruzes - sp
Eu acredito que as pessoas politizadas e o povo, não estão dando pouca importância para o que essa mídia derrotada esta escrevendo e ou dizendo.Percebo isso no meu dia a dia quando as pessoas,satirizando, comentam alguma “manchete” de algum órgão não mais confiável. Isso mostra o quanto eles, os narcisistas midiáticos, ultrapassaram o limite do bom senso.
Quiz dizer:” Eu acredito que as pessoas politizadas e o povo não estão dando muita importância …”
Só nos resta o sentimento de nojo em relação aos processos escusos adotados pela grande mídia? Eles já se lançaram na campanha 2010, com o ministério público servindo de instrumento (como bem levantou Cid) e assistimos tudo de braços cruzados?
Acho que necessitamos levantar campanhas, várias, para desmascarar o comportamento da mídia. Somente a internet, através desta Contrapauta, Nassif, Carta Capital, Paulo Henrique, Mino, etc não são suficientes. O alcance é pouco. Qualquer manchete manipulada pela FSP (vide hoje sobre o filho de Lula onde conteúdo não corresponde ao título que é lido por milhares de pessoas nas bancas de revistas). À noite a Globo completa o massacre, repercute o que lhe interessa.
Um dos pontos que pode fazer essa mídia suja repensar seus procedimentos é atingir-lhes no cofre. Realizar uma campanha maciça de não ver a Globo, cancelar assinaturas da FSP/UOL, etc.
HOJE ESTOU CANCELANDO MINHA ASSINATURA UOL, COM UM SENTIMENTO DE ALÍVIO E DE CONTRIBUIÇÃO, MÍNIMO QUE SEJA, PARA ESSE PROTESTO.
QUANTAS PESSOAS CONSCIENTES DA MANIPULAÇÃO AINDA SÃO ASSINANTES UOL?