Manifeste sua opinião sobre a mudança da Lei de Imprensa que exige que alvos de denúncias sejam ouvidos antes da publicação
O leitor M. Iack chama a atenção para a convocação de um dos paus-mandados da revista Veja para inundar a caixa postal dos senadores contra o projeto de lei que combate a delinqüência editorial.
O projeto apresenta como justificativa a necessidade de “disciplinar a divulgação de informações lesivas à dignidade da pessoa humana”, e insere duas exigências na Lei de Imprensa:
“I - proceder à criteriosa investigação de sua veracidade, bem como da autenticidade dos documentos que porventura lhes sirvam de base;
II - levá-la ao conhecimento daqueles a quem ela se refira, dando oportunidade de manifestação, em tempo hábil antes de sua veiculação.”
O senador Antônio Carlos Valadares (PSB-SE), dono de emissoras de rádio na Paraíba, pediu vistas ao processo e apresentou parecer contrário. A matéria precisa ser votada pela Comissão de Educação do Senado para ir à votação do plenário.
Íntegra do projeto em tramitação no Senado
e-mail do senador Antônio Carlos Valadares
e-mail da Secretaria-Geral da Mesa do Senado
Para defender o projeto, escreva no campo assunto do e-mail: “A favor da votação em plenário da PLS 00257/2005″
No campo reservado à mensagem, escreva seu nome, número de RG e órgão expedidor.
Estadão manipula informação sobre crítica ao apoio de Lula a Chávez
O truque é velho e manjado, mas volta e meia reaparece na imparcialíssima e irrepreensível imprensa brasileira. A prestidigitação consiste em dar voz a uma instituição – de preferência, alguma que tenha respeito público – para a projeção de uma opinião contundente na primeira página, quando, na verdade, quem fala é somente uma pessoa ligada à mesma instituição. Se a leitura ficar nos títulos, comeu-se gato por lebre.
O Estado de S.Paulo traz uma dessas mercancias na edição de hoje. Na chamada de primeira página, lê-se: “Conselho Eleitoral da Venezuela critica Lula”. Logo abaixo, lê-se que o presidente brasileiro foi criticado “por um diretor do Conselho”. Na p 4, ocupando as seis colunas, de novo, o título: “Conselho Regional da Venezuela vê intervenção grosseira de Lula no país”, mas apenas no final do quinto parágrafo é que se lê que o Conselho, uma organização independente que existe para organizar e fiscalizar as eleições no país vizinho, tem cinco diretores e que o diretor usado como ventríloquo para falar pelo órgão, Vicente Díaz, “é o diretor mais próximo da oposição”.
Três agências assinam a reportagem reeditada pelo Estado – Associated Press, Agência France Press e EFE, da Espanha. Breve visita ao jornal El Universal de Caracas, que exerce oposição feroz a ao presidente da Venezuela, Hugo Chávez, mostra outra coisa: a reportagem é de autoria do próprio jornal. Mais: o jornal venezuelano não tergiversou nem escondeu a informação sobre o autor da opinião. Logo na abertura, esclarece: “a título pessoal – e sem respaldo do resto dos membros do Poder Eleitoral (o Conselho) – Vicente Díaz qualificou como uma ‘intervenção grosseira, em assuntos de estrita competência dos venezuelanos’ as palavras de apoio ao presidente reeleito do Brasil”.
Acima a desonestidade editorial, uma outra pergunta provoca: Se Chávez, com o dinheiro fácil do petróleo, desbancou Lula como líder da América do Sul, porque o mesmo Chávez precisaria de Lula para fortalecer sua campanha eleitoral?