Pendências da Abril com o governo incluem internet, acrescenta o blog do Mino

Alceu Nader | Textos | Terça, 31 de Outubro de 2006

Governo Lula quer rever decisão de 1997, quando editora ganhou gratuitamente concessão para explorar tecnologia MMDS

Mino Carta, diretor da revista CartaCapital, escreveu em seu blog que “engana-se quam aponta a edição de livros didáticos como o centro das pendências da Abril com o governo federal”. A observação não anula texto inserido no Contrapauta. Nele, se apontava como possível causa da campanha da principal publicação da editora, a revista Veja, contra o governo Lula o prejuízo de R$ 40 milhões que a Abril teve no ano passado com as novas regras de divulgação de livros escolares junto aos professores. Trata-se de uma questão marginal, diz Mino Carta, pois o que está na mira de Robert Civita, é um “negócio muito mais fabuloso, a internet sem fio. Especialistas falam em centenas de milhões de reais. Outros, em bilhão”.

Mais ainda: segundo o blog, o principal controlador da editora “tem tido conflitos recorrentes com os capatazes da revista Veja. Há alguns meses pede moderação em relação ao governo Lula. Reportagens contra o PT e a administração federal teriam sido engavetadas. Nos corredores da empresa, o boss arriscou-se a afirmar que contrataria Dilma Rousseff, ministra da Casa Civil, para administrar a Abril”.

O pedido de moderação citado é relativo. Ele leva à suposição que os jornalistas responsáveis pela revista fazem o que bem entendem, apesar das intervenções do dono da Abril. Não é bem assim.

O “enredo” relatado no blog do Mino é o seguinte:

“No início dos anos 90, a Abril ganhou de graça, e sem concorrência, concessões de MMDS no Rio, São Paulo e sul do País. A freqüência teve pouca utilidade até agora, já que a tevê por assinatura desenvolveu-se de outras formas. A internet sem fio deve, porém, utilizar essa faixa. As perspectivas do novo negócio são animadoras. Ou seja, as concessões que não valiam nada viraram ouro.
Em meados de abril passado, a Casa Civil solicitou que o Ministério das Comunicações fizesse uma consulta à Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel). A ministra Dilma queria saber se as concessões dadas há mais de 15 anos estavam de pé ou, em nome da concorrência e da inclusão digital, não seria o caso de promover novas licitações de MMDS. Justamente nas áreas onde a Abril detém virtual monopólio.
Na Anatel, o placar foi 2 a 2. Os conselheiros indicados por FHC rejeitaram a proposta de nova licitação, o que atendia ao interesse da Abril. Os indicados por Lula foram a favor da consulta da Casa Civil. Pelas regras da agência, em caso de empate, vale a decisão anterior. Tudo ficou na mesma. Por enquanto. O governo ainda precisa indicar mais um conselheiro. Nesse caso, uma nova consulta da Casa Civil poderia interferir nos negócios da família Civita.
Diante dessa perspectiva, Civita foi à luta. Esteve reunido com Dilma Rousseff para tratar do assunto. Foi levado ao encontro por Sidnei Basile, Diretor de Relações Institucionais da Abril. Hélio Costa, das Comunicações, esteve duas vezes no prédio da Marginal Pinheiros que abriga o grupo. Enquanto isso, Civita exigia moderação dos subordinados, para não melindrar o governo.

Em tempo: os principais negócios do grupo sul-africano Naspers, que comprou 30% do capital da Abril por 422 milhões de dólares, são tevê por assinatura e, vejam só, internet”.

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