CÓDIGO DE CONDUTA 02

Boas práticas profissionais
na Imprensa preservam a democracia

Alceu Nader | Textos | Sábado, 28 de Outubro de 2006

Na Grã-Bretanha, o chefe da Comissão de Queixas à Imprensa é
indicado pela indústria de mídia – e funciona

Pensar com o fígado, ou acreditar que as mudanças só são possíveis com a destruição de quem está do outro lado do muro, pode inviabilizar a criação de uma ouvidoria independente que encaminhe as queixas do público contra erros e abusos da imprensa e da mídia. Somente com espíritos desarmados e isentos pode-se viabilizar um Código de Conduta que leve em conta, sempre, regras práticas de excelência e ética profissional e empresarial que seja respeitado e acatado.

Não é uma estrutura pequena. O PCC britânico (Press Complaints Commission, Comissão de Queixas à Imprensa, que é um bom modelo e já está estabelecido como referência – existe há dez anos – tem vários níveis de decisão no encaminhamento das queixas apresentadas pelo público. O equilíbrio democrático dos setores representados garante a lisura dos processos abertos. Além de receber as demandas do público (um bom e honesto site resolve), a Comissão as encaminha para as empresas para reparação ou correção. Confirmado o erro, o órgão de mídia autor do prejuízo tem de publicar reportagem de correção com destaque. Detalhe: todos os títulos dessas reportagens devem conter que a correção é resultado de processo que foi julgado pela Comissão.

Começando pelo perfil do presidente do órgão britânico, seus estatutos dizem que ele deve ser nomeado pela própria indústria. Também consta nos estatutos, por garantia, que o nomeado não pode ter, direta ou indiretamente, interesses nos negócios de mídia. Resumo da ópera: um cidadão acima de qualquer suspeita.
Lá, quem está à frente da Comissão é um diplomata com título de Sir chamado Christopher Meyer. Ele era o embaixador britânico nos Estados Unidos até 2003, e renunciou assim que começaram as hostilidades contra o Iraque com o apoio de seu país. Antes disso, havia sido embaixador na Alemanha e secretário de Imprensa do primeiro-ministro Tony Blair, entre 1994 e 1996.

Não haveria no Brasil alguém com essa isenção? Quem vocês acreditam que poderia exercer esse trabalho no Brasil? O primeiro nome que me ocorre é o do senador pelo Amazonas, Jefferson Peres. Há poucas semanas, foi noticiado que ele cogita não ser mais parlamentar.

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Na próxima inserção, vou tentar mostrar como a Comissão funciona e quais os setores que estão representados nas suas decisões.