De arrepiar os cabelos

BASTIDORES DA DISTRIBUIÇÃO DAS FOTOS DO DINHEIRO APREENDIDO

Jornalistas e empresas de mídia cortaram do noticiário exigências e mentiras de delegado

Alceu Nader | Textos | Domingo, 15 de Outubro de 2006

Neste feriadão, tive a sorte de reencontrar Luiz Carlos Azenha via internet, depois de quase 20 anos. Fomos colegas dos tempos de formação da rede de jornalismo da Rede Globo, no Oeste paulista, a partir das pontas-de-lança Bauru e São José do Rio Preto.

Meu antigo amigo também está preocupado com os rumos que as empresas de mídia estão tomando nestas eleições. Em seu blog, ele relata pormenorizadamente os diálogos e as negociações entre o delegado da PF, Edmilson Bruno, e jornalistas dos principais meios de comunicação do país. Sobressai-se, na reprodução das conversas, que se tratou de uma ação conjunta a decisão de omitir do público a origem das fotos. Um dos quatro profissionais riu até, quando o delegado disse que desculpa daria ao chefe:

Alguém roubou e deu para vocês

Inocentemente, os desprendidos repórteres omitiram essa e outras informações, inclusive a questão crucial do prazo apresentada pelo delegado: tinha de sair no Jornal Nacional. Nas vésperas do primeiro turno.

Recomenda-se fortemente a leitura na íntegra, clicando aqui: Vi o Mundo

Na Carta Capital, Raimundo Rodrigues Pereira, o decano de pelo menos duas gerações de repórteres, assina a reportagem “Os Fatos Ocultos”, cuja leitura na íntegra também se recomenda.

Por fim, no blog de Luis Nassif, breve apresentação do respeito que Raimundo Rodrigue Pereira merece em Requiém do jornalismo. Abaixo, três parágrafos da leitura que se recomenda na íntegra:

Nos últimos anos houve vários exemplos de matérias encomendadas, várias evidências de mistura de jogadas empresariais e reportagens, e várias coberturas em que se misturavam cumplicidade com a polícia e autodefesa de jornalistas – como no caso do Bar Bodega, em que muitos jornalistas conviveram por um mês com um delegado que, depois se soube, torturou meninos injustamente acusados do crime, e nenhuma das testemunhas jamais veio a público denunciar o complô.

Mas em nenhum desses casos houve uma abrangência tão grande de veículos e uma falta de limites tão acentuada – independentemente da gravidade dos episódios cobertos – quanto a cobertura da foto dos maços de notas que seriam utilizados para a compra do “dossiê Vendoin”.

A reportagem de Raimundo não é partidária, não é militante, não é raivosa, não trata a falta de escrúpulos com falta de escrúpulos – como tem sido a marca desses tempos de escuridão, nessas batalhas absurdas de capas atacando Lula e atacando a oposição. É fria e lógica como uma cirurgia de especialista. Não desperdiça palavras, não gasta acusações, apenas confronta princípios básicos de jornalismo com a atitude de cada veículo, repórteres e direção, no episódio em pauta.

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