Propaganda eleitoral, mentiras e vídeo-tape
A CANELADA DO PT
E A DESMEMÓRIA DE ALCKMIN
O vídeo-tape entra como referência à repetição de tecnologias publicitárias nas eleições brasileiras, nas quais - desde Collor - o marketing se sobrepõe ao ideário e às propostas que o candidato tem a apresentar. A professora argentina, Beatriz Sarlo, diz em seu livro “Cenas da Vida Pós-Moderna”, que a classe política latino-americana está em processo de lento suicídio, por se deixar levar mais pela “opinião de mercado” do que pelas idéias que venham a ter sobre melhoras para o povo que os elege.
Se nos atentarmos ao que foi a propaganda no primeiro turno e na disputa entre Lula e Alckmin, veremos sinais de que ela tem razão.
A indústria da propaganda eleitoral brasileira é referência no mundo, desde o caso Collor, pela sua eficiência nos resultados. Hoje, apesar das diferenças de cultura, de instituições e de idioma, exporta regularmente seus serviços para países da África e América Latina. Esse registro é necessário para sublinhar o poder de influência que essa indústria exerce nos governos e nos destinos dos eleitores.
Como comprova a prática disseminada nos municípios, estados e no governo federal, a agência que tornou o candidato vencedor também atende o eleito. Aí que mora o perigo e muita formação de caixa 2 para as próximas eleições. Enquanto essa promiscuidade permanecer, toda e qualquer pregação de moralidade e ética, seja de qual partido for, está mais para embromação do que propósito sicero.
As mentiras entram no título pelos ferimentos generalizados que Geraldo Alckmin provoca na verdade dos fatos nos jornais de hoje. A declaração sobre a canelada do site de Lula, que, em outras palavras, questinou se o adversário sabia do ambiente em que sua filha, Sofia, conviveu na Daslu, presenciou na megaloja de luxo que a PF flagrou em vários crimes fiscais, evasão de divisas, lavagem de dinheiro e formação de quadrilha.
Disse Alckmin, segundo consta apenas na edição da ( por que será?) Folha impressa, edição São Paulo-Brasília:
“Coisa triste, jogo sujo. Minha filha foi funcionária de uma loja, ganhando dinheiro honesto como balconista, vendedora. É falta de respeito”.
O jornal reproduz as aspas do candidato, mas não se lembrou de que, em 16 de setembro do ano passado, publicou a reportagem “Alckmin acha normal ida da filha a Secretaria”, quetionando o trabalho da “gerente de Negócios da Daslu” junto à Secretaria da Fazenda. Alckmin respondeu:
“Não há absolutamente nenhum benefício [à Daslu]. “As coisas são transparentes. Não tem nenhum problema a pessoa ir à Fazenda, procurar, propor [soluções para os problemas com o Fisco] - desde que esteja correto. [Sofia] não é proibida de ir à Fazenda”.
Que é feio meter a família no meio de interesses eleitorais, não resta dúvida. Mas horrível mesmo é não ter memória para mentir corretamente, e ver, nos eleitores, consumidores que se deixam enganar.