Silêncio autoritário
MÍDIA AJUDOU ALCKMIM A
AMORDAÇAR ASSEMBLÉIA E ABORTAR 69 CPI
O bloqueio sistemático das CPI na Assembléia Legislativa de São Paulo – 69, apenas nos últimos quatro anos de Geraldo Alckmin no governo de São Paulo, reaparece no discurso político com ampla contagem de votos contra o candidato do PSDB. A lista das CPI obstruídas, relacionadas abaixo, rói seu discurso ético e aponta para a faceta totalitária do governador por ter enredado a Assembléia Legislativa com pressões, favores e regalos – em troca, naturalmente, do silêncio.
A cumplicidade não se limitou aos nobres deputados, e o silêncio também cobriu as empresas que controlam os meios de informação. Pior, no caso dos jornais diários, foi a ausência total, durante anos, de informações sobre o trabalho do parlamento estadual – um dos pilares dessa nossa manipulável democracia. Divulgou-se minimamente o que se fazia na Assembléia. Tão pouco, a ponto de levar muitos (e)leitores acreditarem que o Legislativo estadual tornara-se descartável, um monumento à inutilidade que os contribuintes devem bancar para acreditarem que vivem num país democrático.
Como em todas as ocasiões anteriores, repetindo o timbre tucano de que as contas dos outros estão erradas ou quem aponta suas penas sujas de caca está mal informado, Alckmin irá argumentar que se trata de uma montanha de bobagens e que as comissões de inquérito têm o carimbo do PT e o então propósito de inviabilizar seu governo.
Não é bem assim. O PT assina a maioria dos pedidos de CPI barradas por Alckmin, mas nem seu partido, o PSDB, escapou da mordaça antidemocrática. Em ordem decrescente, a divisão de pedidos de CPI por partido é a seguinte:
-
PCdoB - 4
PDT - 2
PFL - 3
PL - 2
PMDB - 5
PPS - 11
PSB - 2
PSDB - 7
PSL - 4
PT - 24
PTB - 3
PV - 2
A mídia amiga do PSDB não se mostrou indignada com o desrespeito ao jogo democrático. Pior: colaborou para silenciar deputados dos principais partidos do país. Contrariada, teve de abrir espaço para as investigações pedidas pela Assembléia Legislativa, duas semanas antes das eleições, quando o Supremo Tribunal Federal reconheceu a ilegalidade do Poder Executivo paulista e ordenou o imediato encaminhamento das investigações.
O descaso da mídia retorna, agora, como motivo de apreensão dos eleitores em várias frentes. Vários jornais trazem hoje que os 18,5 milhões de habitantes da Região Metropolitana de São Paulo estão novamente diante de ameaça de racionamento de água, pois “dos 65 mil litros produzidos por segundo, em média, 64 mil são consumidos pela população. Para agravar a situação, as perdas comerciais e por vazamento continuam altas: de 33% a 34% do volume produzido”. Talvez a ameaça de racionamento não existisse se os governos do PSDB não tivessem bloqueado a CPI apresentada pelo PC do B que há seis anos propôs “investigar as reais causas da atual situação de precariedade no abastecimento de água da Região Metropolitana”.