ATO FALHO
O governador de São Paulo, Cláudio Lembo, outro representante do PFL que o PSDB levou ao poder – e que jamais seria eleito -, comete ato falho, conforme mostram os jornais de hoje. No centro da escorregada de Lembo, a privatização de mais uma fatia da NossaCaixa, que já teve uma parte entregue para Luiz Carlos Mendonça de Barros, um dos principais assessores econômicos de Geraldo Alckmin.
A venda da NossaCaixa foi barrada pelo governador eleito, José Serra, que, apesar do veto, diz aos jornais que apenas desfrutou de um almoço de cortesia. Lembo pretendia cumprir o determinado por seu sucessor no cargo, Geraldo Alckmin, para que as contas do estado não fechem no vermelho – o que configuraria crime por descumprimento da Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF). Desde a semana passada, Lembo pontua na mídia paulista sobre o “rombo” que herdou de Alckmin, aquele da “eficiência administrativa” do horário político gratuito. Continuando, Lembo vinha dizendo – e os jornais amigos aceitando – que a venda de parte da NossaCaixa era inevitável para se evitar o descumprimento da LRF, mas ontem, depois do almoço, mudou de idéia e justificou: “Não quero dilapidar o patrimônio público de São Paulo neste momento”.
Nenhum dos sagazes jornalistas que cobriram ao encontro se atreveu a perguntar se a dilapidação foi permitida em outros momentos.
A privatização é uma das marcas dos doze anos de governo do PSDB em São Paulo. Foram vendidas 6 empresas do setor elétrico, uma de gás, 18 unidades da Ceagesp, além do transporte ferroviário e de outras empresas e concessões públicas. Todas as vendas foram justificadas com o argumento de que o dinheiro arrecadado serviria para reduzir a dívida do estado. O problema é que os números atualizados apontam para a direção contrária. Em 1994, no primeiro governo do PSDB (Mário Covas), o estado devia R$ 34 bilhões. As privatizações renderam R$ 71 bilhões.
Além de liquidar a dívida, o estado teria em caixa R$ 37 bilhões, certo? Errado: São Paulo deve hoje quatro vezes mais do que em 1994: R$ 138 bilhões.
Onde foi parar o dinheiro?