PROCURADOR VAI ACIONAR O PFL NO TSE;
SENADORA ILDELI SALVATTI ENTRA NA MIRA

Alceu Nader | Textos | Terça, 20 de Junho de 2006

A coluna de Ancelmo Gois, O Globo e Diário de S.Paulo, traz hoje uma nota que pode indicar para o desdobramento de informações que alguns dos grandes jornais estão sonegando de seus leitores.
A nota, com o título “Reclamação”, diz que “o procurador-geral da República, Antônio Fernando de Souza, vai entrar com reclamação contra o PFL no TSE.
Autor da denúncia contra os 40 do mensalão”, continua, “ele não gostou de ver a sua imagem usada no programa do partido na TV.”

O desagrado do procurador-geral da República pode estar relacionado com a aprovação unânime dos ministros do TCU (Tribunal de Contas da União) da aquisição de carteiras de clientes do BMG pela Caixa Econômica Federal, conforme o Contrapauta registrou.
Apesar de omitida aos leitores do O Estado de S.Paulo, Gazeta Mercantil, Valor Econômico e Correio Braziliense, a decisão do plenário do TCU, acompanhando o voto do relatório de um de seus membros que foi deputado pelo PSDB, derruba um dos pilares da qualificação do procurador-geral em seu relatório sobre a “quadrilha criminosa”, que foi utilizada pelo PFL em seu programa na televisão.

A oposição conta com o silêncio de representantes da mídia industrial – daí a sonegação de informações sobre a decisão do TCU que somente a Folha de S.Paulo e a coluna de Tereza Cruvinel, do O Globo registraram, no sábado passado.

O mesmo silêncio não será seguido nas edições de amanhã e dos próximos dias, repercutindo reportagem trazida hoje pelo Correio Braziliense, com a senadora Ildeli Salvatti (PT-SC) na mira. O texto “Crise ética – Contas movimentam R$ 1 milhão” questiona a lisura da vida bancária da senadora que, segundo o jornal, “terá de explicar de onde tirou tanto dinheiro que abasteceu suas contas bancárias em 2003, 2004 e 2005”.

Os dados bancários utilizados pelo jornal apontam que, até 2002, ela movimentou R$ 218 mil em duas contas correntes. Mas, a partir de 2003, quando Ildeli Salvatti chegou ao Senado junto com o PT na Presidência da República, “seus saldos bancários começaram a se multiplicar, ainda que seus rendimentos líquidos (descontado o Imposto de Renda) como senadora não tenham passado dos R$ 200 mil no ano, incluindo auxílio-moradia.” As cifras apontam que, em 2003, o saldo anterior de R$ 218 mil saltou para R$ 477 mil, e que, durante os anos 2004 e 2005, a senadora movimentou cerca de R$ 1 milhão nas contas, “praticamente cinco vezes mais que os rendimentos que embolsa”. Ainda segundo o jornal, suas contas multiplicaram “no mesmo período em que o valerioduto passou a turbinar as contas do partido e de alguns de seus parlamentares”.

Os números publicados pelo jornal resultam da projeção de CPMF recolhidos em cada movimentação bancária. A senadora garante à reportagem que eles demonstram empréstimos que ela contraiu.

Sua única saída é apresentar os comprovantes para desmontar a suspeição lançada pelo jornal.

Se estiver certa, cabe até, se ela quiser, uma ação judicial de reparação; se estiver errada, será desmoralizada definitivamente pela multiplicação da reportagem do Correio no restante da mídia.