O MAU JORNALISMO POLÍTICO
PRODUZIDO EM BRASÍLIA, SEGUNDO
JORNALISTAS POLÍTICOS DE BRASÍLIA

Alceu Nader | Textos | Domingo, 18 de Junho de 2006

O Comunique-se levanta uma questão importante na análise “Não dá para ficar na informação do cafezinho do Congresso”, onde trata do jornalismo político de segunda classe que se pratica no Congresso Nacional. “O problema que enfrenta a editoria de política hoje é o excesso e a supervalorização. Os assuntos são batidos, analisados e reanalisados à exaustão. Quem não se cansou de tantas manchetes sobre o valerioduto?”, pergunta o texto assinado pela “Redação”.

Franklin Martins, que foi abatido no tiroteio do mensalão, diz na matéria:

“Na última crise, por exemplo, a cobertura política foi boa na primeira fase do escândalo, até setembro mais ou menos. Depois, patinou. Passamos a ecoar acriticamente dezenas de denúncias feitas pelos partidos de oposição, muitas delas sem pé nem cabeça, que não duravam nem 72 horas, e nos esquecemos de fazer nossas próprias investigações. Resultado: alimentamos o clima de esfola-e-mata e perdemos o fio da meada. Será que informamos bem a sociedade sobre as questões essenciais do escândalo, que são: a) De onde veio o dinheiro do valerioduto? b) Quais os nomes de todos os parlamentares que receberam dinheiro do valerioduto?”

Faltou precisar que setembro foi o mês citado em recente artigo do presidente do PFL, Jorge Bornhausen, como o da oportunidade perdida para deflagrar o processo de impeachment contra o presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva.
Também não se menciona o fracasso da estratégia de vários veículos de informação, principalmente a revista Veja, que encaminhara o noticiário para a deflagração do processo. Para justificar o impeachment, era preciso o povo nas ruas, que a revista, sem sucesso, tentou insuflar com a falsa reportagem de estudantes do Rio Grande do Sul pelo afastamento de Lula.
Também faltou lembrar que foi justamente em agosto, que o PT ganhou a companhia do PSDB, na figura de seu presidente, senador Eduardo Azeredo, como beneficiado do esquema de Marcos Valério, na campanha eleitoral de 1998.

O texto do Comunique-se traz também diagnóstico de Ricardo Noblat, cujo blog se tornou fenômeno de audiência durante a crise. “Ainda falta investigação. Não que seja culpa do profissional, afinal de contas ele obedece ordens e é da mídia, do empresariado, das organizações o título de quarto poder”.

Faltou acrescentar, no caso, a soberba dos jornalistas que “se acham” simplesmente por estarem próximos ao poder.
Quanto à falta de investigação, também faltou mencionar a publicação de material oferecido por arapongas, produzido com interesse político e econômico específicos, em detrimento da investigação jornalística.

O texto do Comunique-se traz ainda avaliações de Tereza Cruvinel, colunista do O Globo, Francisco Campera , Chefe de Comunicação Social do Ministério das Comunicações e Américo Martins, diretor da BBC Brasil.

Recomenda-se a leitura na íntegra:

“Não dá para ficar na informação do cafezinho do Congresso”

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