Riquelme rege o histórico 6 a 0
A partida não foi histórica somente pelo placar, mas pelo maravilhoso show de bola. Poucos hão de discordar de que contra a Sérvia e Montenegro a Argentina tenha feito o melhor jogo desta Copa.
Aos 17 minutos do primeiro tempo Lucho González sai de maca e dá lugar a Cambiasso que marcaria um golaço depois da troca de 25 passes. Começa o segundo tempo com o placar marcando 3 a 0 e, aos 13 minutos, Carlito Tevez substitui Saviola. Com a saída de Maxi Rodriguez e autor de dois gols entra Lionel Messi, atacante do Barcelona. O craque foi contratado pelo campeão da UEFA aos 13 anos de idade (ele completa 19 no próximo sábado, dia 24).
José Pekerman, técnico e, pelo visto, arranjador de música, decretou o fim do mito do Grupo da Morte nestas três substituições. E ter Tevez, Messi e Cambiasso no banco de reservas é ter time para vencer de 6 e também a Copa.
Crespo, Sorín, Mascherano, Abbondanzieri, Burdisso, Ayala e Heinze completaram a orquestra, Riquelme a regeu. Vê-lo jogar é um misto de inveja e grande admiração. Participou de 4 dos 6 gols e quando pegava na bola parecia que a cena do jogo se congelava e somente ele se movimentava comandando o espetáculo. Ao distribuir a bola mudava o ritmo da partida e desequilibrava.
Os três grandes jornais - Folha de S.Paulo, O Estado de S.Paulo e O Globo - rendem justa homenagem a seleção argentina.
“Ilija Petkovic se encolheu no banco. Olhos fechados, cabeça baixa. Parecia querer sumir.
Sua defesa, a melhor da Europa nas eliminatórias, acabara de assistir atônita a uma troca de 24 passes. Sorín, Saviola, Riquelme, Crespo. Um toque de calcanhar. Gol de Cambiasso.
Jogada magnífica, daquelas que dificilmente se repetem num mesmo jogo de futebol.
Para azar do treinador de Sérvia e Montenegro, porém, a Argentina construiu outras cinco, também temperadas com precisas trocas de bola ou arroubos individuais. No final, um 6 a 0 histórico, a maior goleada de um país sul-americano sobre um europeu em Mundiais desde 1954, na Suíça”, inicia a Folha de S.Paulo em sua principal reportagem de hoje.
O Globo na capa do caderno de esportes rende justa homenagem ao timaço mostrando uma grande foto com os jogadores festejando a grande vitória. Na parte de baixo dois quadros lado a lado. O primeiro com o título O QUE ELES TÊM, onde se lê somente a palavra FUTEBOL. O outro, O QUE ELES NÃO TÊM, lê-se: FEBRE, BOLHA, TONTEIRA, O MELHOR DO MUNDO, QUADRADO MÁGICO, BOATE, BATE-BOCA COM PRESIDENTE, BRIGA COM A IMPRENSA.
O Estado de S.Paulo não deixa por menos e prevê que nosso vizinho é candidato a campeão numa matéria intitulada “Argentina, o primeiro espetáculo” onde se lê que “o primeiro espetáculo da Copa do Mundo 2006 leva a assinatura do estilo sul-americano. E foi sob a direção de José Pekerman e com atuações impecáveis de um elenco sem coadjuvantes. Só houve protagonistas nos 6 a 0 aplicados ontem pela Argentina sobre Sérvia e Montenegro, em Gelsenkirchen. Coisa de cinema. A Argentina saiu viva do Grupo da Morte, depois de apresentar um futebol de pura magia. Classificou-se para a 2ª fase e mandou um aviso: é candidata - e das mais fortes - ao título”.
Acredito que o desejo nacional seja que os jogadores brasileiros tenham assistido ao jogo e busquem inspiração na belíssima apresentação e que esqueçam o segredo de Estado do excesso de peso de Ronaldo e se lembrem que sabem e podem jogar futebol.
Se Brasil e Argentina se classificarem em primeiro lugar em suas chaves, poderão se encontrar na final. Especular, hoje, sobre como seria esta possível partida e o resultado é escrever ficção. Como torcedores desejamos que o Brasil substitua a Argentina no comando do espetáculo e “vingue” a Sérvia e Montenegro.
E o que faremos como jornalistas? Se de fato este encontro ocorrer será que a imprensa brasileira mostrará o mesmo respeito e admiração pelos los hermanos?
Walter Alves
Apenas para acrescentar: ontem a Argentina também calou o locutor da Globo, Oscar Ulisses. Nos poucos minutos antes de começar a partida ele disse e fez questão de repetir que a Argentina ganhara injustamente a primeira partida, contra a Costa do Marfim.
O que me parece, até o momento, é que a Seleção Brasileira tem estrela demais e céu de menos. Dependemos do brilho individual. A Argentina, que é o segundo maior exportador de jogadores - o Brasil é o primeiro, mas tem população quatro vezes maior -, enquanto isso, mostrou que o individualismo deu lugar à equipe.
O estrelismo pode prejudicar o Brasil - e, se isso acontecer, a mídia terá sua parcela de culpa, por ter tentado nos convencer de que a Seleção não disputaria um torneio dificílimo, mas daria um espetáculo a cada partida, e pelo estímulo ao individualismo.
Por essas e outras, tornou-se mais importante mostrar a elasticada que Ronaldinho tomou no traseiro do que o comportamento da equipe, o esquema tático e a capacidade do Parreira de controlar tantas estrelas. A tevê apostou tudo no esquema big brother para mostrar a seleção, mas reportagem que é bom - nada. Talvez isso explique o afinco dos repórteres que acompanham o time para mostrar o detalhe da bunda danificada de Ronaldinho. Desde então, uma dúvida me persegue: se fosse no bilau, eles também iriam mostrar?
Será que já não é a hora da imprensa começar a se lembrar do baile que o Brasil tomou em Buenos Aires? E começar a preparar os nossos corações?
Me perdoe, mas nunca entendi essa mania de brasileiro tratar argentino como um ser superior, será por que são tudo branquinho? A Argentina ganha da gente nos torneios regionais tipo copa américa, mas nos internacionais quase sempre dá Brasil, afinal os Argentinos nem sabe o que é ser tri campeão ainda.
O que as mídias querem? Foram os jornalista que criaram este negócio todo e agora querem culpar os jogadores e comissão técnica? Tá se vendo que os jornais querem é vender, mais nadica de nada! As Organizações Globo são uns fdp, na TV arrotam que tudo é exclusivo, fazem o que querem na CBF, criam mitos e agora derrubam, pelo simples fator econômico! Não considero e nunca considerei o time da CBF favorito à coisa nenhuma. Pois não temos uma equipe, o que possuímos é um grupo de jogadores desgastados pelo super exposição, estressados com tanta badalação, consentida ou não.
O Casagrande deitou falação que a Rep. Tcheca e a Italia foram fenomenais, e agora? Depois dos resultados de hoje, o que vão dizer ele e Falcão (E outros tabém, eles pagam pelo monopólio). Inté!