Junho 2006

Arquivo Mensal

PROCURADOR VAI ACIONAR O PFL NO TSE;
SENADORA ILDELI SALVATTI ENTRA NA MIRA

Publicado por Alceu Nader em 20 Jun 2006 | sob: Notícias

A coluna de Ancelmo Gois, O Globo e Diário de S.Paulo, traz hoje uma nota que pode indicar para o desdobramento de informações que alguns dos grandes jornais estão sonegando de seus leitores.
A nota, com o título “Reclamação”, diz que “o procurador-geral da República, Antônio Fernando de Souza, vai entrar com reclamação contra o PFL no TSE.
Autor da denúncia contra os 40 do mensalão”, continua, “ele não gostou de ver a sua imagem usada no programa do partido na TV.”

O desagrado do procurador-geral da República pode estar relacionado com a aprovação unânime dos ministros do TCU (Tribunal de Contas da União) da aquisição de carteiras de clientes do BMG pela Caixa Econômica Federal, conforme o Contrapauta registrou.
Apesar de omitida aos leitores do O Estado de S.Paulo, Gazeta Mercantil, Valor Econômico e Correio Braziliense, a decisão do plenário do TCU, acompanhando o voto do relatório de um de seus membros que foi deputado pelo PSDB, derruba um dos pilares da qualificação do procurador-geral em seu relatório sobre a “quadrilha criminosa”, que foi utilizada pelo PFL em seu programa na televisão.

A oposição conta com o silêncio de representantes da mídia industrial – daí a sonegação de informações sobre a decisão do TCU que somente a Folha de S.Paulo e a coluna de Tereza Cruvinel, do O Globo registraram, no sábado passado.

O mesmo silêncio não será seguido nas edições de amanhã e dos próximos dias, repercutindo reportagem trazida hoje pelo Correio Braziliense, com a senadora Ildeli Salvatti (PT-SC) na mira. O texto “Crise ética – Contas movimentam R$ 1 milhão” questiona a lisura da vida bancária da senadora que, segundo o jornal, “terá de explicar de onde tirou tanto dinheiro que abasteceu suas contas bancárias em 2003, 2004 e 2005”.

Os dados bancários utilizados pelo jornal apontam que, até 2002, ela movimentou R$ 218 mil em duas contas correntes. Mas, a partir de 2003, quando Ildeli Salvatti chegou ao Senado junto com o PT na Presidência da República, “seus saldos bancários começaram a se multiplicar, ainda que seus rendimentos líquidos (descontado o Imposto de Renda) como senadora não tenham passado dos R$ 200 mil no ano, incluindo auxílio-moradia.” As cifras apontam que, em 2003, o saldo anterior de R$ 218 mil saltou para R$ 477 mil, e que, durante os anos 2004 e 2005, a senadora movimentou cerca de R$ 1 milhão nas contas, “praticamente cinco vezes mais que os rendimentos que embolsa”. Ainda segundo o jornal, suas contas multiplicaram “no mesmo período em que o valerioduto passou a turbinar as contas do partido e de alguns de seus parlamentares”.

Os números publicados pelo jornal resultam da projeção de CPMF recolhidos em cada movimentação bancária. A senadora garante à reportagem que eles demonstram empréstimos que ela contraiu.

Sua única saída é apresentar os comprovantes para desmontar a suspeição lançada pelo jornal.

Se estiver certa, cabe até, se ela quiser, uma ação judicial de reparação; se estiver errada, será desmoralizada definitivamente pela multiplicação da reportagem do Correio no restante da mídia.

TCU DERRUBA UMA DAS PRINCIPAIS
DENÚNCIAS DA CPMI DOS CORREIOS. MAS
A MAIORIA DOS JORNAIS ESCONDE A NOTÍCIA

Publicado por Alceu Nader em 19 Jun 2006 | sob: Notícias

Apenas dois jornais – Folha de S.Paulo e O Globo -, durante o fim de semana prolongado, registraram a decisão unânime do TCU (Tribunal de Contas da União) que elimina uma das principais acusações da CPMI dos Correios, – a de que os negócios entra a Caixa Econômica Federal e o BMG serviram para fazer caixa para o esquema do publicitário Marcos Valério que, por sua vez, abasteceu o mensalão.

No sábado, a colunista Tereza Cruvinel escreveu que “o TCU considerou totalmente regular a operação de aquisição da carteira de crédito consignado do BMG pela Caixa Econômica Federal”. A decisão dos ministros, continua, foi “unânime” e acompanhou voto do relator, ministro Ubiratan Aguiar (ex-deputado pelo PSDB), julgando improcedente a representação de um procurador e do senador Álvaro Dias (PSDB-PR). “Este foi um dos tambores da oposição na CPI dos Correios”, lembra a colunista.

A Folha de S.Paulo diz o mesmo na reportagem assinada por Marta Salomon, de sábado passado, “Operação entre BMG e Caixa foi legal, diz TCU”, e detalha:

“Menos de seis meses depois de uma auditoria do TCU apontar ‘claro favorecimento’ ao BMG em operações com a Caixa, os ministros do tribunal decidiram avalizar os negócios que garantiram a um dos bancos envolvidos no esquema do mensalão lucro imediato de cerca de R$ 120 milhões.”
“Entre dezembro de 2004 e setembro de 2005, a Caixa fez seis operações de compra de carteiras de empréstimos a aposentados do BMG. Pagou por elas R$ 1,09 bilhão.”
“O lucro do banco mineiro é quatro vezes o valor repassado pelo BMG a empresas do publicitário Marcos Valério de Souza, que administrou o caixa dois do PT. O BMG alimentou o ‘valerioduto’ com cerca de R$ 26 milhões, de fevereiro de 2003 a julho de 2004.”
“A recente decisão do TCU não anula as investigações em curso sobre supostos favorecimentos ao BMG. Mencionados na primeira fase da denúncia, eles representam uma das principais linhas de investigação da segunda fase do inquérito comandado pelo procurador-geral da República, Antonio Fernando de Souza.”

Todos os demais jornais esconderam a decisão dos seus leitores. Por que será?

Alceu Nader

O MAU JORNALISMO POLÍTICO
PRODUZIDO EM BRASÍLIA, SEGUNDO
JORNALISTAS POLÍTICOS DE BRASÍLIA

Publicado por Alceu Nader em 18 Jun 2006 | sob: Notícias

O Comunique-se levanta uma questão importante na análise “Não dá para ficar na informação do cafezinho do Congresso”, onde trata do jornalismo político de segunda classe que se pratica no Congresso Nacional. “O problema que enfrenta a editoria de política hoje é o excesso e a supervalorização. Os assuntos são batidos, analisados e reanalisados à exaustão. Quem não se cansou de tantas manchetes sobre o valerioduto?”, pergunta o texto assinado pela “Redação”.

Franklin Martins, que foi abatido no tiroteio do mensalão, diz na matéria:

“Na última crise, por exemplo, a cobertura política foi boa na primeira fase do escândalo, até setembro mais ou menos. Depois, patinou. Passamos a ecoar acriticamente dezenas de denúncias feitas pelos partidos de oposição, muitas delas sem pé nem cabeça, que não duravam nem 72 horas, e nos esquecemos de fazer nossas próprias investigações. Resultado: alimentamos o clima de esfola-e-mata e perdemos o fio da meada. Será que informamos bem a sociedade sobre as questões essenciais do escândalo, que são: a) De onde veio o dinheiro do valerioduto? b) Quais os nomes de todos os parlamentares que receberam dinheiro do valerioduto?”

Faltou precisar que setembro foi o mês citado em recente artigo do presidente do PFL, Jorge Bornhausen, como o da oportunidade perdida para deflagrar o processo de impeachment contra o presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva.
Também não se menciona o fracasso da estratégia de vários veículos de informação, principalmente a revista Veja, que encaminhara o noticiário para a deflagração do processo. Para justificar o impeachment, era preciso o povo nas ruas, que a revista, sem sucesso, tentou insuflar com a falsa reportagem de estudantes do Rio Grande do Sul pelo afastamento de Lula.
Também faltou lembrar que foi justamente em agosto, que o PT ganhou a companhia do PSDB, na figura de seu presidente, senador Eduardo Azeredo, como beneficiado do esquema de Marcos Valério, na campanha eleitoral de 1998.

O texto do Comunique-se traz também diagnóstico de Ricardo Noblat, cujo blog se tornou fenômeno de audiência durante a crise. “Ainda falta investigação. Não que seja culpa do profissional, afinal de contas ele obedece ordens e é da mídia, do empresariado, das organizações o título de quarto poder”.

Faltou acrescentar, no caso, a soberba dos jornalistas que “se acham” simplesmente por estarem próximos ao poder.
Quanto à falta de investigação, também faltou mencionar a publicação de material oferecido por arapongas, produzido com interesse político e econômico específicos, em detrimento da investigação jornalística.

O texto do Comunique-se traz ainda avaliações de Tereza Cruvinel, colunista do O Globo, Francisco Campera , Chefe de Comunicação Social do Ministério das Comunicações e Américo Martins, diretor da BBC Brasil.

Recomenda-se a leitura na íntegra:

“Não dá para ficar na informação do cafezinho do Congresso”

Riquelme rege o histórico 6 a 0

Publicado por Alceu Nader em 17 Jun 2006 | sob: Notícias

A partida não foi histórica somente pelo placar, mas pelo maravilhoso show de bola. Poucos hão de discordar de que contra a Sérvia e Montenegro a Argentina tenha feito o melhor jogo desta Copa.

Aos 17 minutos do primeiro tempo Lucho González sai de maca e dá lugar a Cambiasso que marcaria um golaço depois da troca de 25 passes. Começa o segundo tempo com o placar marcando 3 a 0 e, aos 13 minutos, Carlito Tevez substitui Saviola. Com a saída de Maxi Rodriguez e autor de dois gols entra Lionel Messi, atacante do Barcelona. O craque foi contratado pelo campeão da UEFA aos 13 anos de idade (ele completa 19 no próximo sábado, dia 24).

José Pekerman, técnico e, pelo visto, arranjador de música, decretou o fim do mito do Grupo da Morte nestas três substituições. E ter Tevez, Messi e Cambiasso no banco de reservas é ter time para vencer de 6 e também a Copa.

Crespo, Sorín, Mascherano, Abbondanzieri, Burdisso, Ayala e Heinze completaram a orquestra, Riquelme a regeu. Vê-lo jogar é um misto de inveja e grande admiração. Participou de 4 dos 6 gols e quando pegava na bola parecia que a cena do jogo se congelava e somente ele se movimentava comandando o espetáculo. Ao distribuir a bola mudava o ritmo da partida e desequilibrava.

Os três grandes jornais - Folha de S.Paulo, O Estado de S.Paulo e O Globo - rendem justa homenagem a seleção argentina.

“Ilija Petkovic se encolheu no banco. Olhos fechados, cabeça baixa. Parecia querer sumir.
Sua defesa, a melhor da Europa nas eliminatórias, acabara de assistir atônita a uma troca de 24 passes. Sorín, Saviola, Riquelme, Crespo. Um toque de calcanhar. Gol de Cambiasso.
Jogada magnífica, daquelas que dificilmente se repetem num mesmo jogo de futebol.
Para azar do treinador de Sérvia e Montenegro, porém, a Argentina construiu outras cinco, também temperadas com precisas trocas de bola ou arroubos individuais. No final, um 6 a 0 histórico, a maior goleada de um país sul-americano sobre um europeu em Mundiais desde 1954, na Suíça”, inicia a Folha de S.Paulo em sua principal reportagem de hoje.

O Globo na capa do caderno de esportes rende justa homenagem ao timaço mostrando uma grande foto com os jogadores festejando a grande vitória. Na parte de baixo dois quadros lado a lado. O primeiro com o título O QUE ELES TÊM, onde se lê somente a palavra FUTEBOL. O outro, O QUE ELES NÃO TÊM, lê-se: FEBRE, BOLHA, TONTEIRA, O MELHOR DO MUNDO, QUADRADO MÁGICO, BOATE, BATE-BOCA COM PRESIDENTE, BRIGA COM A IMPRENSA.

O Estado de S.Paulo não deixa por menos e prevê que nosso vizinho é candidato a campeão numa matéria intitulada “Argentina, o primeiro espetáculo” onde se lê que “o primeiro espetáculo da Copa do Mundo 2006 leva a assinatura do estilo sul-americano. E foi sob a direção de José Pekerman e com atuações impecáveis de um elenco sem coadjuvantes. Só houve protagonistas nos 6 a 0 aplicados ontem pela Argentina sobre Sérvia e Montenegro, em Gelsenkirchen. Coisa de cinema. A Argentina saiu viva do Grupo da Morte, depois de apresentar um futebol de pura magia. Classificou-se para a 2ª fase e mandou um aviso: é candidata - e das mais fortes - ao título”.

Acredito que o desejo nacional seja que os jogadores brasileiros tenham assistido ao jogo e busquem inspiração na belíssima apresentação e que esqueçam o segredo de Estado do excesso de peso de Ronaldo e se lembrem que sabem e podem jogar futebol.

Se Brasil e Argentina se classificarem em primeiro lugar em suas chaves, poderão se encontrar na final. Especular, hoje, sobre como seria esta possível partida e o resultado é escrever ficção. Como torcedores desejamos que o Brasil substitua a Argentina no comando do espetáculo e “vingue” a Sérvia e Montenegro.

E o que faremos como jornalistas? Se de fato este encontro ocorrer será que a imprensa brasileira mostrará o mesmo respeito e admiração pelos los hermanos?

Walter Alves

(blog em instalação) O BAIXO-ASTRAL DE RONALDO

Publicado por Alceu Nader em 15 Jun 2006 | sob: Notícias

O craque do Real Madri continua a ocupar o maior espaço no noticiário e a ser criticado em todos eles. Hoje, Ronaldo é capa dos cadernos de esporte da Folha de S.Paulo, do Estado de S.Paulo e do Globo.

Todos convergem para o mesmo ponto: o jogador procurou uma clínica para fazer alguns exames, pois não estava sentindo-se bem. Isto sabemos desde terça-feira, quando o vimos andar dentro do campo, ora como um Bussunda do Casseta e Planeta, ora como um veterano em pelada de fim de semana.

Ronaldo foi sofrível no jogo contra a Croácia não porque está gordo, ou porque esteve febril há dias da partida, e sim porque está baixo-astral.

Diversos devem ser os motivos deste estado de espírito. Um deles, certamente, é a imagem pública de Ronaldo que vem sendo desconstruída desde sua chegada à seleção para esta Copa.
É fato. A imprensa brasileira quando quer não dá mole para ninguém. Ainda mais quando este alguém trata o próprio peso como se fosse um segredo de Estado. Suas bolhas são tratadas como se fossem algo extraordinário - ganharam a capa da CartaCapital de 14/6.

A Nike acabou segurando o mico deste episódio e ficou como o fabricante de um artigo que, de tão desconfortável, provoca bolhas. Penso que a solução encontrada foi aumentar o número da chuteira para o gordo pé de Ronaldo.

Ontem, o clima criado pela delegação, com a participação do jogador, em nada ajudou para diminuir as críticas ao status quo de Ronaldo. Os jornais noticiam com destaque que, após sentir fortes de cabeça, o craque foi levado para uma clínica em Frankfurt para exames médicos. Seria um revival de 98?

A Folha de S.Paulo noticia que “O médico José Luiz Runco, que acompanhou o atleta na clínica, ajudou a esconder o problema. Minutos depois de Ronaldo regressar ao hotel da seleção de carro, Runco, caminhando pela rua diante da concentração, parou para conversar com jornalistas. Disse que nenhum jogador teve problemas depois da partida de estréia, o 1 a 0 contra a Croácia”.

O Estado, em sua principal matéria sobre o assunto, diz que o astro do Real Madrid, “abatido, passou boa parte do dia de folga no hotel. Deixou a concentração, em Königstein, por volta das 15 horas e retornou pouco depois das 19 horas. Seis horas mais tarde, já no início da madrugada de hoje (no horário alemão), a CBF divulgou a informação de que o atacante havia passado mal e sido levado pelos médicos da seleção a um local para avaliações”.

O Globo contextualiza o mal-estar e o exame para informar que “o técnico Parreira já deu mostras de que terá paciência com Ronaldo, mas ela é limitada. Antes da Copa, em conversas reservadas, Parreira dizia contar com o atacante, desde que o craque desse sinais de que estaria motivado para a competição. Não foi o que aconteceu nos primeiros dias de concentração para a Copa”.

Sabemos, e Parreira também, que a melhor estratégia no futebol não substitui a vontade de jogar e ganhar. Estará Ronaldo com vontade? Ninguém pode, ainda, perguntar isto a ele.

Ronaldo se despede de Copas do Mundo. Ou alguém duvida disto? O adeus, entretanto, não precisa ser melancólico. Pelo que tudo indica, porém, será. Segundo o Globo, ele recebeu mal sua substituição e teve de ser consolado por Cafu. Os colunistas apontam para duas opções para contornar o problema: a entrada de Juninho Pernambucano ou Robinho. Dependerá do esquema escolhido por Parreira e também do adversário.

Notícias on-line, de hoje cedo, dão conta que Ronaldo acordou bem e foi treinar. Torçamos pela sua recuperação física e pelo retorno de seu excelente futebol, mas saibamos entender que se Ronaldo continuar jogando mal não será porque ele está gordo, febril, ou com dor-de-cabeça, mas sim está mal, de baixo-astral.

Será que a imprensa perceberá isto e mudará o jeito de tratar o artilheiro da Copa de 2002?

postado por Walter Alves

(blog em instalação) POR TRÁS DA NOTÍCIA, JORNAIS DENUNCIAM SUAS ASPIRAÇÕES

Publicado por Alceu Nader em 15 Jun 2006 | sob: Notícias

“PSDB QUER TORNAR PRESIDENTE INELEGÍVEL”O Estado de S.Paulo
“TSE COBRA EXPLICAÇÃO DE LULA”
Correio Braziliense
“JUSTIÇA ELEITORAL PERMITE QUE LULA FALE DE SUA GESTÃO” O Globo

Não parece, mas os títulos acima tratam do mesmo assunto nos jornais de hoje: a decisão do corregedor-geral da Justiça Eleitoral, ministro Cesar Asfor Rocha, de indeferir o pedido de liminar do PSDB, em ação que pretendia impedir que o presidente da República falasse sobre sua gestão e a comparasse com outras, em solenidades públicas e inaugurações. Na mesma decisão, conforme se lê em todos os jornais, Asfor Rocha determinou investigações para certificar se procede a denúncia do PSDB – de que Lula faz proselitismo e campanha eleitoral em eventos públicos, como no caso que motivou a ação (inauguração da Ferrovia Transnordestina). O PSDB pode discordar do indeferimento e recorrer da decisão, levando-a para plenário do TSE.

Esta é a notícia real.

O leitor pode então começar a se perguntar:

De onde o título do Correio Braziliense tirou a conclusão de que o TSE “cobra explicação de Lula”, se o corregedor rejeitou a liminar do PSDB, julgando o caso de acordo com o que já foi declarado, na semana passada, pelo presidente do tribunal, Marco Aurélio Mello, que o presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, pode, sim, participar de inaugurações de obras de seu governo.

Nenhuma das reportagens remete para essa decisão como histórico favorável ao presidente.

Diante da postura isolada do O Globo, que se apresentar e relatar o fato tal como ocorreu na realidade, pergunta-se:

Por que o Correio e o Estado inverteram a ordem dos fatos e relegaram o que realmente aconteceu - a rejeição da liminar – para o segundo plano?

Ou será que ambos editorializaram suas reportagens, deixando transparecer o que desejam que aconteça?

Seguem abaixo a íntegra das três reportagens para que os leitores tirem suas :

JUSTIÇA ELEITORAL PERMITE QUE LULA FALE DE SUA GESTÃO O Globo

O corregedor-geral da Justiça Eleitoral, ministro Cesar Asfor Rocha, negou ontem pedido de liminar do PSDB para impedir o presidente Luiz Inácio Lula da Silva de falar sobre sua gestão e compará-la a outras administrações em solenidades públicas e inaugurações de obras. Asfor Rocha, porém, instaurou procedimento para investigar se procede e é passível de punição a denúncia feita pelo PSDB de que Lula usa os eventos públicos para fazer proselitismo e campanha eleitoral, como no caso da inauguração de obras no Ceará este mês.

O PSDB pediu abertura de investigação judicial eleitoral contra Lula e o o ex-ministro da Integração Nacional Ciro Gomes pela prática de abuso de poder político e de autoridade e realização de propaganda eleitoral antecipada. Os tucanos podem recorrer ao plenário do TSE contra o indeferimento da liminar.
Asfor Rocha também mandou arquivar uma representação do PT que pedia a suspensão de qualquer propaganda do PSDB que tivesse a participação do candidato do partido à Presidência da República, Geraldo Alckmin. O ministro argumentou que já há outra representação no mesmo sentido em tramitação do TSE.

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TSE COBRA EXPLICAÇÃO DE LULA Correio Braziliense

A pedido do PSDB, tribunal determina apuração de possível uso eleitoral de inaugurações de obras

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva terá de dar explicações ao corregedor-geral da Justiça Eleitoral, ministro César Asfor Rocha, sobre o uso eleitoral de inaugurações de obras públicas. O ministro vai questionar o presidente devido a um pedido do PSDB para investigar o comportamento de Lula em eventos oficiais. Rocha negou a liminar solicitada pelos tucanos para que o presidente fosse impedido de fazer comparações entre a atual gestão e governos anteriores, mas instaurou um procedimento de apuração.
Os tucanos pedem a inelegibilidade de Lula sob a alegação de que ele cometeu abuso de poder político e propaganda eleitoral antecipada. A representação sustenta que o presidente fez, no último dia 6, discursos comparando sua gestão com governos anteriores durante inauguração de obras da ferrovia Transnordestina, em Missão Velha (CE), e no lançamento de uma estação de piscicultura em Nova Jaguaribara (CE). O PSDB argumenta que Lula “valeu-se de recursos e infra-estrutura dos serviços e equipamentos públicos para atacar terceiros e enaltecer a si próprio em franca desobediência ao princípio da impessoalidade que deveria permear os atos oficiais.”

O PSDB também estende o mesmo pedido ao ex-ministro da Integração Nacional Ciro Gomes, que participou dos eventos e também teria feito comparações entre os dois governos. “É lógico que o presidente Lula está utilizando o cargo de presidente da República para fazer campanha antecipada”, ataca o líder do PSDB na Câmara, Jutahy Júnior (BA). O ministro da Coordenação Política, Tarso Genro, avisou que o presidente cumprirá qualquer ordem judicial. “Toda norma do TSE, seja qual for, enquanto estiver em vigência, deverá ser cumprida por qualquer pessoa”, disse.

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PSDB QUER TORNAR PRESIDENTE INELEGÍVELO Estado de S.Paulo

Tucanos vão ao TSE e acusam Lula de propaganda antecipada

O PSDB pediu ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) que abra investigação judicial contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o ex-ministro Ciro Gomes para apurar se os dois cometeram abuso de poder político e de autoridade no lançamento da Ferrovia Transnordestina, no dia 6. Também requisitam que seja averiguado se fizeram propaganda eleitoral antecipada no evento.
Os tucanos pedem que no final do processo Lula seja punido com a inelegibilidade.

O lançamento da Transnordestina ocorreu em Missão Velha, no Ceará, diante de um público de 5.000 pessoas. Na ocasião, Lula exaltou as realizações de seu governo e negou que estivesse fazendo campanha. “Estou num ato institucional, eu estou aqui como presidente, isto é um ato oficial, não é um comício”, discursou. Ciro criticou “o modelo ideológico que dominou o País por oito anos”, referindo-se aos dois governos do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso.
O corregedor-geral da Justiça Eleitoral, César Rocha, rejeitou o pedido de liminar feito pelos tucanos na ação. O PSDB queria que Rocha, em decisão provisória, determinasse a Lula que deixasse de “fazer proselitismo de sua gestão e de compará-la com outras administrações durante eventos custeados por dinheiro público”.
Segundo o partido, isso ficou claro no lançamento das obras da Transnordestina e no de uma estação de piscicultura em Nova Jaguaribara, no mesmo Estado. Ciro Gomes participou dos dois eventos. Os tucanos sustentam que o presidente estaria “valendo-se de recursos e infra-estrutura dos serviços e equipamentos públicos para atacar terceiros e enaltecer a si próprio, em franca desobediência ao princípio da impessoalidade que deveria permear os atos oficiais”.

O fato de a liminar ser negada não significa que a ação tenha perdido seu objetivo, mas que nenhuma medida será tomada antes do julgamento do mérito da acusação do PSDB, no fim do processo.
Precavido, o corregedor-mor indeferiu o pedido do PSDB, mas ordenou investigações para ver se a denúncia tucana de abuso de poder e propaganda eleitoral antecipada contra Luiz Inácio Lula da Silva é procedente.

Postado por Alceu Nader

(blog em instalação) CHÁVEZ INSPIRA BOBAGEM NA FOLHA

Publicado por Alceu Nader em 14 Jun 2006 | sob: Notícias

Patacoada na Folha, na reportagem “Lula se oferece para mediar acordo de Chávez e García”.

O terceiro parágrafo abre dizendo:

“A crise do gás com a Bolívia estremeceu as relações entre Lula e Evo Morales, incentivado por Chávez a nacionalizar as reservas de hidrocarbonetos e as instalações da Petrobras.”

Dizer que o presidente da Bolívia, Evo Morales, agiu com o empurrãozinho do presidente da Venezuela, Hugo Chávez, reduz a escolha do eleitor boliviano. A nacionalização dos recursos energéticos do país foi a principal bandeira da campanha eleitoral de Morales. A pressão popular pela nacionalização derrubou os três presidentes da Bolívia que antecederam Morales no Palácio Quemado, sede do Executivo.

Em tempo: até o decreto de Morales, a Bolívia era o único país do mundo exportador de petróleo e derivados que não tinha seus recursos nacionalizados.

A propósito, é sempre bom lembrar que, apesar do discurso anti-ianque, a Venezuela manteve inalteradas as exportações de petróleo para os EUA. Ontem, o britânico Finantial Times, jornal que rivaliza com o The Wall Street Journal como o mais influente do mundo, trouxe que a eventual interrupção das vendas de petróleo da Venezuela para os EUA elevaria o preço do barril em 15%. Em números, saltaria da média atual de US$ 70 para cerca de US$ 80, acarretando gastos extras de US$ 23 bilhões, por ano.

A projeção é de um estudo do Congresso norte-americano que será oficialmente apresentado no mês que vem. O estudo também concluiu que os EUA não estão preparados para abrir mão do petróleo da Venezuela, que hoje responde por 11% do consumo norte-americano.

(blog em instalação) HORA ‘H’ NO CHILE

Publicado por Alceu Nader em 14 Jun 2006 | sob: Notícias

A festejada economia chilena está chegando na hora da verdade. A tonelada de cobre, que representa 30% das exportações do país, caiu US$ 365 nos últimos três meses. Ontem, pela primeira vez desde abril passado, o preço sitou-se abaixo dos US$ 7 mil a tonelada, segundo informa o Valor de hoje.

Graças aos melhores preços do metal no mercado, nos últimos 25 anos, o Chile tem conseguido manter a dívida pública em 12% do PIB. No Brasil, a mesma relação é de mais de 50%.

(blog em instalação) UMAS A MAIS…

Publicado por Alceu Nader em 13 Jun 2006 | sob: Notícias

A propósito da polêmica sobre o excesso de peso de Ronaldo Fenômeno, e da comparação do jogador com o presidente da República sobre o “também disseram” que Lula bebe “pra caramba”. Também disseram…

Ronaldo não jogou lhufas hoje. Parecia que a bola dava choque no pé dele. Mas esse é outro assunto.

O que queria comentar é uma das notas da coluna de Dora Kramer, do O Estado de São Paulo. Ela diz “chegou a ser cogitada entre a comissão técnica a hipótese do corte de Ronaldo do primeiro jogo do Brasil, como forma de desagravo ao presidente da República”.

Alguém acredita?
Sem estar muito bêbado ou muito louco, parafraseando Chico Buarque, é difícil.
Como espectador permanente de futebol na mídia, acho muito improvável. Ronaldo poderia não ter sido escalado, mas por outros motivos.

Primeiro, porque futebol é uma instituição mais importante do que política no Brasil. Tão importante que, nem durante a ditadura militar, foi feita qualquer concessão. Em 1970, no breu da ditadura, o general Emilio Garratazu Médici sugeriu que Dario Maravilha deveria fazer parte do time. Não lhe deram bola nem justificativa.

A nota diz ainda que quem “deu o contra” foi Cafu, argumentando que “constrangimento por constrangimento”, Zagalo também criou o seu “na fatídica videoconferência que 13, o dia do jogo, era também o número do PT e símbolo da ‘vitória’. Com isso, Cafu salvou o Brasil de um vexame sem precedentes.”

Constrangimento? Não fui isso que eu vi na televisão.
Zagalo “vocês vão ter de me engolir” cedeu e mentiu sobre sua obsessão com o “13″?

O que eu vi foi a amplificação de um ruído pela imprensa, obrigando ambas as partes a desculpas pelo mal-entendido retratado na grande imprensa tucana.
O último dos três dias de leva-e-traz trouxe, no mesmo Estado, reportagem sobre a tentativa de esclarecimento do jogador assinada por quatro repórteres. Um fenômeno: quatro repórteres assinando uma entrevista, na qual se lia, além da metade do texto, que, “mais uma vez”, Ronaldo criticou e se queixou da imprensa por causa do rolo criado.

A nota político-futebolística, sem fonte alguma sendo responsabilizada, apesar de malhar na fraqueza institucional do presidente da República, atribui-lhe um poder e um gesto - o castigo da não-esclaração contra a Croácia - que ele não tem e nem seria insensato de permitir.

Já pensou na tragédia eleitoral, se Ronaldo não jogasse (apesar de não ter feito falta hoje), e o Brasil perdesse na estréia da Copa?
Seria Lula tão estulto a insensato em arriscar-se a esse risco?

Por fim, há que se admitir que o mal-estar foi real. Só que ninguém queria briga nem exigiu retratação. A falta de fonte, nome e endereço de revelação tão grave para a pátria de chuteiras, porém, compromete. Parece mais uma jogada da coluna para reduzir Lula, mas que gera efeito contrário. Que digam os números do Ibope que a Globo acabou de anunciar.